O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) vai rever para baixo, pela terceira vez este ano, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, Eustáquio Reis, reconheceu ontem que as contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o PIB estão corretas e que o Ipea errou nas suas previsões. No início do ano, a previsão de crescimento da economia para 2001, segundo o órgão, vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, era de 4,5%, depois caiu para 3,3% e, mais uma vez, para 2,7%.
Por causa do resultado do PIB no segundo trimestre, apurado pelo IBGE, que apontou queda de 0,99% ante o trimestre anterior, as previsões serão novamente revistas. A autocrítica de Reis foi feita ontem à tarde, depois de um encontro com economistas do IBGE, analistas de bancos e acadêmicos, para discutir o cenário econômico. Um dos assuntos foi justamente a variação do PIB no segundo trimestre deste ano, que, segundo o IBGE, avançou apenas 0,79% sobre o mesmo período do ano passado. A previsão do Ipea era de 2,5%.
''Em nenhum momento questionamos o que o IBGE calcula. Eles têm todo um sistema de estatísticas interno, enquanto fazemos nosso modelo num gabinete'', chegou a comentar o diretor do Ipea.
Segundo o diretor do Ipea, a reunião de ontem não foi agendada para discutir especificamente a variação do PIB, mas para abordar temas como a retração da economia no mundo, a situação argentina e políticas monetárias e fiscais. Na avaliação do diretor do Ipea, a desaceleração brasileira é fruto de um grupo de motivos. (AE)

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