O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) voltou a rever, para baixo, a sua projeção para o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, como efeito da desaceleração da economia. Em setembro, a estimativa do instituto, que integra o Ministério do Planejamento, era a de que a economia - expressa pelo PIB - cresceria 1% em 98. No seu Boletim de Conjuntura de outubro, divulgado ontem, a projeção desceu para um acréscimo de somente 0,7% no PIB este ano.
Em todos os grandes setores da economia as projeções foram rebaixadas: a agropecuária, para a qual se esperava em setembro uma queda de atividade de 0,8%, deverá ter sua retração aprofundada, com -2,3% em 98. O PIB da indústria, que no mês passado tinha previsão de pequeno crescimento de 0,4%, encolheu para 0,1%, ou seja, vai ficar praticamente estagnado em relação a 97. As estimativas para o setor de serviços desceram de 1,6% de expansão para 1,4%.
Conforme o Ipea, a retração no nível de atividade econômica deve-se à combinação de uma política fiscal contracionista com taxas de juros altas. Possivelmente, no entender deles, a queda esperada para o PIB deverá concentrar-se nos próximos dois a três trimestres, já considerando o terceiro trimestre deste ano.
A partir do segundo trimestre de 99 poderia começar a recuperação do crescimento, sustentada em uma expansão da demanda privada interna, tanto de consumo como de investimento e, talvez, também das exportações.
Segundo o Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, responsável pelo Boletim, o crescimento de 0,7% para o PIB previsto para 98, implica em rápida desaceleração da economia até o final do ano, uma vez que a atividade econômica cresceu fortemente no segundo trimestre (1,4%).
Na série dessazonalizada (exclui fatores típicos de cada período), no terceiro trimestre o PIB pode ter caído 1% em relação ao imediatamente anterior e 0,9% no quarto trimestre, ante o terceiro. Na comparação com iguais trimestres de 97, as estimativas do Ipea são de pequena elevação (0,5%) no terceiro trimestre e redução também de 0,5% no quarto trimestre. Evitar uma queda do PIB no ano, dizem os técnicos, dependerá fundamentalmente da velocidade que se imprimir à queda das taxas de juros.
Também para a produção da indústria em geral em 98 as estimativas do Ipea pioraram de setembro, quando a projeção era de queda de 0,7% para outubro, mês em que o órgão passou a prever uma retração de 1,9%, em consequência de uma redução de 3% na atividade da indústria de transformação (em setembro, imaginava-se que a queda na indústria de transformação seria de -1,8%).
A queda projetada para o ano atinge todas as categorias de uso, inclusive os bens de capital, cujas taxas acumuladas no ano vinham sendo positivas até agosto. No caso dos bens de capital, observam os técnicos, a redução agora deve-se, em grande parte, à base elevada do segundo semestre do ano passado, que foi quando o setor começou a se recuperar.
A queda na indústria em geral só não é pior graças ao comportamento da indústria extrativa-mineral, que deverá crescer 11% este ano, em relação a 97. Por categorias de uso, além da retração de 0,3% projetada para bens de capital, deverá haver uma queda de 4,9% na produção de bens de consumo, com destaque absoluto para os bens duráveis, que pelas projeções vão despencar sua produção em 19,1%. Os bens não-duráveis terão encolhimento de 0,5%.

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