Ipea prevê recuperação no 2º trimestre
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao último de 1997. A projeção consta da edição de janeiro do Boletim Conjuntural divulgada ontem, no Rio de Janeiro . O Ipea, no entanto, calcula que a economia deve iniciar, no segundo trimestre, um processo de recuperação, o que permitiria projetar, no final do ano, um crescimento do PIB de cerca de 2%. Para o PIB de 1997, os técnicos do instituto refizeram as contas: em vez dos 3,8% estimados no início do ano, o crescimento deve ficar em 3,3%.
O presidente do Ipea, Fernando Rezende, alertou que as estimativas podem ser alteradas de acordo com o desenrolar da crise asiática e pela trajetória da taxa de juros, mas garante que a queda no primeiro trimestre será menor do que anunciava o quadro sombrio de outubro do ano passado, quando a queda das bolsas internacionais fez o governo baixar o pacote de ajuste fiscal. Se compararmos os dados do primeiro trimestre de 1997 com o de 1998, veremos que os números não variam muito, afirmou. Na comparação com o mesmo período, o PIB deverá crescer 1,8%.
A redução da taxa de juros, determinada pelo Banco Central na quarta-feira, pode tornar o cenário mais otimista. A queda dos juros já deve influenciar o comportamento da economia em fevereiro e talvez o PIB do primeiro trimestre não caia tanto, o que tornaria modesta nossa previsão de crescimento de 2% no ano, apontou o diretor de pesquisa do Ipea, Claudio Considera. Outro fator que deve melhorar as projeções é a provável superestimativa feita pelo Ipea da queda da produção industrial em dezembro.
Nossas projeções são muito influenciadas pelo componente automóveis e podem estar sobrestimadas, admitiu Considera. A previsão de queda da produção industrial feita pelo Ipea para dezembro foi de 2,6% - mas a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou uma estimativa bem menor: 0,6%.
Investimentos O Ipea corrigiu ainda outra estimativa: a taxa de investimentos, prevista inicialmente para 16,7% do PIB (a preços de 1980), passou para 18%, graças ao aumento da importação de bens de capital e ao bom desempenho da construção civil. Com isso, confirmou-se a tendência de recuperação de investimento observada desde 1996. As estatísticas não vinham registrando o crescimento em 1997 da taxa de investimentos, embora a gente até pudesse sentir isso, disse Rezende.
Os investimentos diretos vindos do exterior também confirmaram a expectativa de aumento. O Ipea calcula que, em 1997, os recursos estrangeiros tenham ficado na faixa de R$ 18 bilhões e deverão somar R$ 20 bilhões este ano. Segundo Fernando Ribeiro, do Grupo de Análise Conjuntural (GAC) do Ipea, a queda da liquidez internacional não deve influir nos investimentos em países do Terceiro Mundo. Os países desenvolvidos não tem mais para onde crescer e o Brasil apresenta as melhores condições, com um programa de privatização que, no mínimo, pode gerar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões de recursos externos, ponderou.





