Rio de Janeiro - A produção industrial do País em setembro deve registrar queda de 1% ante agosto, mas terá alta de 5,6% sobre o mesmo mês no ano passado, prevê o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O instituto mantém, para 2004, a previsão de crescimento da produção de 7,4%. O economista do instituto, Estêvão Kopschitz, explicou que a projeção foi calculada com base nos resultados de setembro, já divulgados, dos setores de aço, papelão ondulado e veículos e que a queda na produção nacional sobre agosto será influenciada pela redução na produção, já anunciada, no setor de papelão (recuo de 1,6%).
Segundo ele, o Ipea espera taxas menores na produção industrial dos próximos meses, pois prevê que o ritmo de crescimento deve passar por uma fase de ''acomodação'' até o fim do ano. No acumulado até setembro, o Ipea projeta alta de 8,4% na produção industrial.
Os resultados de setembro serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 10 de novembro. Para calcular as projeções, o Ipea usou dados do IBGE, da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) e da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Ao justificar a avaliação de que o ritmo deve sofrer acomodação, Kopschitz observou que, embora a produção industrial em agosto tenha apresentado aumento (de 1,1% ante julho), diminuiu o número de setores pesquisados pelo IBGE que apresentaram crescimento na produção naquele mês. ''Em agosto, de 23 atividades industriais, 12 apresentaram crescimento de julho para agosto. Mas de junho para julho foram 17'', disse.
Projeção - A perspectiva de queda em setembro, na comparação com agosto, não altera a projeção de crescimento para 2004 do Ipea. ''Como a indústria está nos surpreendendo positivamente nos últimos tempos, se a nossa estimativa para a produção de 2004 não for a certa, certamente será maior (do que 7,4%)'', afirmou o economista, referindo-se ao fato de que o Ipea estimava queda de 1,1% na produção industrial de agosto ante julho, o que acabou não ocorrendo.
A estimativa de queda em agosto novamente foi influenciada pelo desempenho do setor de papelão. ''Sem a inclusão do setor de papelão, o erro na projeção teria sido menor. Mas nossas projeções costumam ter um acerto razoável'', disse. Na nota de conjuntura divulgada ontem, o instituto informou ainda que espera cenário de estabilidade nas vendas do comércio varejista em agosto.

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