Rio de Janeiro - O Banco Central (BC) ''deve se sentir mais seguro'' para reduzir a Selic provavelmente só a partir da segunda metade do terceiro trimestre, depois que pressões sazonais de junho a agosto sobre os preços tenham se dissipado'', prevê o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do Ministério do Planejamento, em nota divulgada ontem.
Segundo o Ipea, os indicadores do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apontaram estabilidade em maio, após queda em abril, mas em nível ''elevado em termos anualizados, comparativamente aos limites superiores da banda de (meta de) inflação''. O centro da meta oficial para o IPCA este ano é de 5,5%, com o limite de tolerância de 8%. O núcleo apurado pelo Ipea, que atribui menor peso a itens de preço mais volátil, como o tomate, por exemplo, ''foi o único que apresentou queda mais relevante, passando de 0,65% para 0,60%, mas estável em relação à média verificada no primeiro trimestre, que foi de 0,61%''.
O Ipea calcula núcleos por outras metodologias, como a que exclui os preços de maior variação tanto para cima quanto para baixo ou a que não considera determinados itens, tais como os que têm preços administrados. A média desses outros núcleos registrou recuo em maio, de 0,65% para 0,63%.
O Ipea observa que, com o resultado do IPCA de maio (0,51%), o acumulado no ano atingiu 2,75% ou 50% da meta central de inflação definida para 2004 (5,50%). ''Na série em 12 meses encerrada em maio, o indicador atingiu a variação de 5,15%, a menor taxa desde julho de 1999'', diz a nota.

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