Ipea prevê melhora a partir de julho
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sexta-feira, 21 de maio de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - As taxas de desemprego das pesquisas sobre mercado de trabalho devem começar a cair a partir de julho. A estimativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento. ''Acho que o nosso presidente Lula se enganou por um ano quando disse que o espetáculo do crescimento começaria em julho do ano passado. Estou imaginando que, em julho deste ano, vamos ter já as manchetes anunciando números positivos de mercado de trabalho'', afirmou o economista e editor-adjunto do Boletim Mercado de Trabalho do Ipea, Luiz Eduardo Parreiras.
No boletim divulgado ontem, foi feita análise detalhada das principais pesquisas sobre emprego do País. Com isso, o Ipea avaliou que o número de pessoas trabalhando, a chamada ''população ocupada'', está em trajetória crescente no Brasil e que a massa salarial real apresenta sinais de recuperação. ''As manchetes sobre mercado de trabalho sempre dizem que tudo vai de mal a pior, com o desemprego aumentando e a renda caindo. Mas o mercado de trabalho não está ruim como os números, avaliados de forma apressada, dão a entender'', disse Parreiras.
Ele informou que a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de março, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora tenha registrado taxa recorde de desemprego de 12,8%, apontou, também, alta de 0,4% na população ocupada, ou seja, no número de pessoas trabalhando, ante março do ano passado. No primeiro trimestre, a população ocupada apresentou elevação de 1,6% ante igual período em 2003, de acordo com análise do Ipea feita com base na pesquisa do IBGE.
Ele citou ainda os dados da pesquisa do convênio entre a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), que aponta criação de 124 mil postos de trabalho em abril, maior patamar desde 1985.
No caso da massa salarial real, Parreiras considerou que este segmento ainda apresenta queda de 0,6% em março, ante março do ano passado, mas deve mostrar variação positiva na comparação de 12 meses, a partir de abril.
Para o Ipea, esses sinais positivos indicam que o mercado de trabalho caminha para a recuperação. ''O mercado de trabalho já saiu do fundo do poço. Está havendo uma geração expressiva de emprego, e só não está se refletindo na taxa de desemprego porque, quando o mercado de trabalho começa a se aquecer, há um movimento das pessoas que estavam afastadas do mercado de trabalho procurando emprego e colocação'', disse, se referindo aos chamados ''desalentados'' do IBGE, que não têm emprego e não procuram trabalho. Porém, o técnico observou para queda consistente nas taxas de desemprego é necessário um crescimento econômico sustentável, para que a mão-de-obra disponível seja absorvida.


