Ipea prevê inflação de até 5,5% para este ano
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sábado, 19 de janeiro de 2002
Jacqueline Farid 
Rio - A inflação deverá continuar pressionada nos próximos três a quatro meses, fechando este ano com variação entre 5% e 5,5%, segundo estimativa do diretor de Assuntos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Eustáquio Reis. Ele acredita que os preços no atacado terão redução nos próximos meses devido à estabilidade do câmbio, mas, por outro lado, a recomposição de margens no varejo levará a reajustes nos preços ao consumidor. Acredito que ao final de três a quatro meses haverá uma convergência nos preços do atacado e do varejo, com redução de ambos, afirmou.
O economista disse que não acredita que a meta inflacionária estabelecida pelo governo para este ano será cumprida no centro (3,5%), porque isso implicaria em postura monetária bem mais severa do que seria razoável em ano de eleição ou recuperação da economia. Ele ressaltou que suas estimativas levam em conta o comportamento dos preços em dezembro (que surpreendeu o mercado) e que o modelo do Ipea de projeções não leva em conta a liberação do preço da gasolina.
O Ipea divulgou ontem o seu boletim de conjuntura on-line, no qual revelou que a chamada tendência de inflação do IPCA (o núcleo calculado pelo instituto a partir de taxas mensais anualizadas) atingiu em dezembro 8,18% ao ano, com aumento de 0,4 ponto porcentual ante novembro. O Ipea ressaltou que esse aumento ocorreu apesar da queda do IPCA em dezembro (0,65%) ante novembro (0,71%). Como admite o instituto, os índices de inflação divulgados em dezembro reacenderam temores de que a meta definida para a inflação neste ano seja ultrapassada.


