Rio A economia brasileira vai crescer apenas 1,8% neste ano, segundo expectativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo ligado ao Ministério do Planejamento. A previsão é um ponto percentual inferior à meta do governo federal, de 2,8%. É também muito parecida com o modesto resultado alcançado pela economia brasileira em 2002, de crescimento de 1,52%.
Assim como ocorreu em 2002, as exportações devem ser o destaque da economia brasileira. De acordo com o Boletim Conjuntural do Ipea divulgado ontem, o consumo interno teria somente um ligeiro crescimento devido ao impacto da inflação sobre os salários.
''A produção deve se manter em um patamar elevado devido às exportações. Já o consumo vai ficar estável, mas não vai mais ser negativo como no ano passado'', disse o economista do Ipea Paulo Levy, coordenador da pesquisa. O instituto também destacou a política macroeconômica restritiva de juros em patamares elevados para combater a inflação, a qual pode influenciar negativamente a atividade econômica no primeiro semestre. Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira está em 26,5% ao ano.
De acordo com as projeções do Ipea, a agropecuária manterá seu dinamismo com um crescimento de 3,3%. Quanto à indústria, os segmentos exportadores devem continuar a crescer: a indústria de transformação, 1,8% e a extrativa-mineral, 7,9%.
O Ipea espera uma recuperação do setor de construção civil com crescimento de 1,5% neste ano e também dos serviços industriais de utilidade pública, em sua maioria formados pelo setor de energia elétrica, com aumento de 4,6%.
Juros
Uma queda na taxa de juros deve começar a acontecer somente a partir do terceiro trimestre do ano, segundo previsão do Ipea. Para o instituto, os juros devem encerrar o ano em torno de 23% e ficar com uma taxa média, em 2003, de 25,2%.
Em relação à inflação, a previsão é de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), usado como parâmetro do sistema de metas de inflação, fique em 12,6% devido a reflexos de choque ocorridos no ano passado, como a desvalorização cambial. A previsão anterior do Ipea era de taxa de 9%.
Quanto ao comércio exterior, a estimativa é de um saldo de US$ 16,2 bilhões para a balança comercial, resultado do crescimento das exportações em 14% e de 11,5% das importações. Sobre o mercado de trabalho, o Ipea prevê uma taxa média de desemprego no ano de 7,2% e alta de 1,2%, também em média, para a renda. Segundo o instituto, a renda cresceria 1,5% neste primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado.

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