O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) está prevendo um crescimento para a economia brasileira este ano superior ao estimado até o mês passado. De acordo com a sua Carta de Conjuntura divulgada ontem, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá se expandir em 4,3% em 1997, resultado superior ao do ano passado (3%), por conta da melhoria da atividade econômica no segundo semestre. A previsão é a de que o PIB do período de 12 meses encerrado em junho (segundo trimestre) mostrará uma elevação de 5,6%, enquanto que em maio as estimativas eram de que nesse período o percentual ficaria em 4,8%. Para o terceiro trimestre, a projeção passou de um crescimento de 3,3% para 4,7%.
O próprio IPEA, contudo, acha que o seu modelo de projeção pode estar excessivamente influenciado pelo bom resultado registrado pela indústria em abril, que mostrou crescimento de 5,9% em relação ao mesmo mês de 1995. O PIB é a soma dos bens, mercadorias e serviços produzidos no País e, portanto, reflete o comportamento de todos os setores ao longo do ano. De qualquer forma, o Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do IPEA considera que, a menos que haja mudanças substanciais na condução da política econômica de agora, o PIB de 97 não será inferior a 3,5%.
A taxa de crescimento prevista para o ano difere substancialmente da feita no mês passado pelo coordenador do PIB Trimestral do IBGE, Roberto Olinto Ramos: 1,5%. De acordo com ele, se as condições de consumo existentes não mudarem, esta deverá ser a taxa de crescimento da economia em 97. No primeiro trimestre, o PIB caiu 0,56% em relação ao último trimestre de 96 e cresceu 4,21% em relação ao mesmo período do ano precendente, mas por ilusão estatística. É que de janeiro a março de 96 a economia estava deprimida, sob o impacto das medidas anticonsumo tomadas pelo governo em 1995.
Assim, em comparação com uma base muito deprimida, houve crescimento do PIB no primeiro trimestre. Segundo o técnico do IBGE, não havia, em maio, nenhum indicativo de que a tendência de menor crescimento traçada no primeiro trimestre iria se reverter. Isso somente aconteceria se o governo viesse a facilitar o consumo das famílias, com melhoria nas condições de crédito e redução das taxas de juros - o que não aconteceu. Na estimativa do IBGE, com redução nas taxas de juros e crédito mais flexível a economia poderá crescer 3%.

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