Ipea prevê alta no emprego industrial
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sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Folha do Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaRetraçãoNos 11 primeiros meses de 96, a queda do nível de emprego nas indústrias foi de 7,68%, segundo a CNI O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento, está prevendo que o emprego industrial no Brasil crescerá 2% este ano, invertendo uma tendência de queda que vem se verificando nos últimos tempos.
Nos 11 primeiros meses de 96, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) detectou uma queda de 7,68% no emprego industrial. Cláudio Considera, diretor de Pesquisa do Ipea, disse que a recuperação do emprego ocorrerá em um quadro de retomada geral da produção industrial, que deverá crescer entre 5% e 6% este ano, contra um crescimento estimado em 1,6% para 96.
As estimativas foram feitas durante a divulgação do Boletim Conjuntural do Ipea referente ao mês de janeiro. No trabalho, o Ipea estima que, em 96, o PIB brasileiro (Produto Interno Bruto), que mede toda a riqueza gerada em um determinado período, cresceu 3,2%, em trajetória ascendente que elevará o crescimento anualizado no final do primeiro semestre deste ano para 5,4%.
Durante todo o ano de 97, Considera estima que a economia crescerá entre 4% e 5%, voltando o crescimento a ser liderado pela indústria, após dois anos seguidos de liderança dos serviços.
O Ipea estima ainda que a renda per capita (por pessoa) crescerá 3,5% este ano. O rendimento das pessoas ocupadas, que cresceu 27% de 94 a 96, seguirá também crescendo, impulsionado por um aumento da produtividade de aproximadamente 3,5%.
Cláudio Considera disse que a economia do País não sofrerá o tranco que vem sendo previsto por parte dos especialistas em macroeconomia, por conta do desequilíbrio das contas externas, mas admitiu que haverá uma acomodação.
Segundo ele, o fenômeno terá como principal causa o retraimento do consumidor, que se endividou em excesso no final do ano passado. Essa acomodação deverá fazer com que as taxas de crescimento do PIB trimestral em comparação ao trimestre imediatamente anterior sejampequenas, mas não impedirá que, na comparação com igual semestre do ano passado, haja um crescimento significativo.
Balança comercial Também na contramão de grande parte das análises macroeconômicas, Cláudio Considera estimou que o déficit da balança comercial brasileira (exportações menos importações) será este ano menor que os US$ 5,5 bilhões verificados no ano passado.
Ele afirmou que isso ocorrerá porque a indústria brasileira está recuperando a competitividade e deverá capitanear um crescimento das exportações maior que os cerca de 2% verificados em 96. Há um processo dinâmico de retorno do Brasil ao mercado mundial, disse Considera, citando como exemplo o recorde verificado em 96 nas exportações de veículos.
As análises do Ipea estão baseadas em uma visão otimista da economia brasileira após o Plano Real. Segundo Considera, o Real já deixou de ser apenas um plano de estabilização para se tornar também um plano de desenvolvimento.


