Ipea indica esgotamento da política monetária brasileira
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terça-feira, 26 de março de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O comportamento atípico da economia brasileira, no qual a redução da taxa de juros e a desvalorização cambial não levaram à recuperação do crescimento esperado, mostra que o governo federal esgotou o uso de políticas monetárias e que é preciso investir e adotar políticas fiscais para elevar a produção nacional. A análise é da "Carta de Conjuntura" do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgada ontem, que aponta que o desempenho da indústria começou o ano melhor do que em 2012, mas que as incertezas deixam o Banco Central (BC) em compasso de espera para decidir como conter a pressão da inflação.
Segundo o órgão, a diferença para um ciclo típico é que o atual ciclo brasileiro não começou com uma crise externa, não afetou o mercado de trabalho e a inflação cresceu mesmo com leve queda do consumo. O problema é que, conforme o Ipea, o BC considera que elevar os juros pode não conter a alta de preços e, por isso, aguarda antes de decidir pela elevação do índice. "Quando o ciclo é típico, existe uma história, mais ou menos padrão, que explica o que acontece na queda e na recuperação. Não é esse o caso", diz o coordenador do Grupo de Estudos em Conjuntura do instituto, Fernando Ribeiro.
Para o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o fato de o Ipea, rico em dados, divulgar um relatório cheio de incertezas aponta para o dilema que a economia brasileira vive. Ele diz que o governo está no limite de redução da taxa de juros sem perder a inflação de vista, o que mostra como são necessárias políticas fiscais, de desoneração e de investimento na produção. "O problema é que isso aumentaria o endividamento e o nosso superavit caiu. Se desonera, perde capacidade de gerar receita."
O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), diz que todo o dinheiro aplicado em infraestrutura tem sido por meio de concessões à iniciativa privada, o que mostra a falta de recursos públicos. A solução seria gastar melhor o que se arrecada. "A carga tributária é alta no Brasil e é em cima da produção, mas o dinheiro não vai para investimentos. Vai para as despesas do governo."
Sobre os juros, Staviski prevê que uma alta nas taxas poderia elevar também os custos da indústria, o que inibiria investimentos de empresários. Seria um retrocesso, na visão de Zurcher, que afirma que a demora em incentivar o crescimento da produção no País foi justamente o que levou ao cenário atual. "As medidas implementadas nos últimos anos foram todas para o consumo, com maior oferta de crédito e redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Apenas no fim do ano passado é que houve desoneração da folha de pagamento e crédito para bens de produção." (Com agências)


