Ipea estima que especializados são metade dos desempregados
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segunda-feira, 07 de outubro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou ontem estudo que aponta o crescimento da representatividade de trabalhadores com 11 ou mais anos de estudo entre os desempregados. Segundo o órgão, duas em cada dez pessoas sem trabalho em 1992 estavam entre as mais qualificadas, número que subiu para cinco em 2012. Na mesma comparação, a quantidade foi reduzida de cinco para duas entre os que tinham no máximo sete anos de escolaridade. Na conclusão do texto, os pesquisadores do Ipea afirmam que a escassez de mão de obra especializada não é geral, mas por setores, ainda que reconheçam que a produtividade e a escolaridade no País sejam baixas.
O "Comunicado do Ipea nº 160 Um retrato de duas décadas do mercado de trabalho brasileiro utilizando a Pnad" cita o crescimento de 6,3% na renda média brasileira apenas de 2011 para 2012, o que não se repete quando observadas apenas pessoas com mais de 11 anos de estudo. O coordenador de pesquisa de emprego e renda, Gabriel Ulyssea, diz que os dados indicam um aumento na oferta de trabalho para pessoas especializadas. "O quantitativo vem aumentando acima dos não qualificados. A evolução da renda da mão de obra qualificada está em queda pelo excesso de oferta. Essas duas características são incompatíveis com a ideia de escassez."
Para o presidente do Ipea, Marcelo Neri, a ampliação do mercado de trabalho perdeu força nos últimos anos pelo aumento de escolaridade. "É um bônus educacional, o trabalhador saiu de um nível muito baixo de qualificação para um menos baixo", afirma. Neri diz ainda que o mercado de trabalho se expandiu duas vezes mais rápido no ano passado (6,5%) do que na última década, o que surpreende diante do baixo crescimento do Produto Interno Bruto em 2012, de 0,9%. "Talvez seja um sinal de que o Brasil não está dando um salto tecnológico. O grande apagão é de gente pouco qualificada."
Críticas
O diretor de pesquisas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, acredita que todos esses indicadores, na verdade, apontam para o fato de o País gerar muitos empregos, mas que sempre exigem baixa especialização. "A demanda é maior em segmentos como construção civil e comércio, mas na indústria, que exige maior qualificação, não é assim", conta. Ele afirma que se trata de uma escolha do governo federal, de usar um modelo econômico ancorado no consumo interno, e não na produção. "Houve uma troca de empregos de boa qualidade pelos de baixa qualidade, mesmo que isso tenha um efeito mais rápido na renda das classes mais baixas."
Professor de economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Joilson Dias faz duras críticas ao estudo do Ipea. Ele diz que assistiu, na sede do órgão, a apresentação dos dados, que foram amplamente criticados pelos profissionais presentes. Especialista em demanda e qualificação de mão de obra, afirma que pessoas de baixa escolaridade têm mais facilidade em arranjar emprego porque não procuram em uma área específica. "Quem tem nível superior tem uma sucção mais demorada pelo mercado porque busca vaga no que se formou, porque deixa o emprego para fazer mestrado ou doutorado e até para estudar para concursos públicos."
Dias cita, por exemplo, a falta de engenheiros para todas as áreas no País. "Precisamos de portos e aeroportos e o Brasil forma 20 engenheiros navais ao ano apenas", conta. Tanto o pesquisador quanto o diretor do Ipardes temem que o estudo do Ipea possa desestimular a especialização de trabalhadores. "Quando se investe em educação, no mínimo se cria a possibilidade de a pessoa empreender e criar mais vagas de empregos qualificadas", diz Suzuki. "Um País desenvolvido tem 40% de pessoas com ensino superior e Maringá, que tem cidade universitária e é uma região rica, tem 18%. É preciso mais", completa Dias. (Com Agência Estado)

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