Rio de Janeiro - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reviu para cima a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,8% para 3,5% em 2005 e de 3,5% para 4%, no ano que vem. Apesar das revisões, motivadas pela expansão das exportações e dos investimentos, o órgão admite que a crise política poderá influenciar o desempenho do terceiro trimestre deste ano.
Depois do crescimento de 1,4% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre, livre de fatores sazonais, a economia deverá avançar 0,8% no terceiro trimestre, comparado ao anterior. Segundo o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC), Fábio Giambiagi, isso decorrerá de um recuo esperado para a indústria em julho e porque a crise política pode causar um efeito ''limitado e concentrado'' neste trimestre.
Segundo ele, a crise pode provocar uma atitude de ''parar para ver (o que acontece)'' em alguns segmentos. Na prática, a projeção para 2005 já inclui este cenário. As projeções para o ano que vem dependem do desenrolar da crise. Se houver uma ''normalização política'' e se percepção for de que ''a crise ficou para trás'', o crescimento pode ser maior, perto de 4,5%. Mas, ''se a crise política se aguçar'', vai ser mais difícil chegar ao crescimento de 4%.
Giambiagi explicou que, de forma geral, a leitura dos dados da economia é ''bastante positiva'' e houve uma ''recuperação muito mais intensa do que se imaginava'' no primeiro semestre. O crescimento do PIB no segundo semestre explica parte das revisões do Ipea. Agora, o instituto projeta um crescimento das exportações de 11% (acima dos 9,4% anteriormente projetados) e de 5,3% para os investimentos (ante os 4,8% anteriores).
Como as exportações não continuarão a crescer tanto nos próximos anos, o Ipea diz que o crescimento futuro deve ser liderado pelo investimento e é preciso que a taxa sobre o PIB cresça um ponto ao ano. Para isso, os juros reais devem recuar, o que requer ''conservar os cuidados com o campo fiscal e persistir no esforço de geração de superávits primários da ordem de 5% do PIB''. O Ipea projeta taxa de investimento de 20,6% e, para 2006, de 21,2%.
O Ipea também reduziu de 6,3% para 5,3% a previsão de inflação este ano. A nova estimativa já inclui a possibilidade de aumento dos derivados do petróleo.

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