Rio de Janeiro – O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), órgão vinculado ao ministério do Planejamento, revisou para 56,9% a estimativa da relação dívida líquida/PIB (Produto Interno Bruto) para este ano, anteriormente de 53,4%. Isto é a proporção entre o que o setor público brasileiro deve em relação à toda a produção anual de bens e serviços.
Mesmo com a revisão, divulgada no último boletim de conjuntura referente ao mês de abril, o Ipea ainda permanece mais otimista que o mercado, que chega a prever um crescimento ainda maior da dívida do país em relação à riqueza total produzida.
Por causa principalmente das pressões do câmbio e da estagnação da taxa de juro real em cerca de 10%, o chefe do Departamento de Economia da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas, acredita que a relação dívida/PIB poderá saltar, até o final do ano, para algo em torno de 57% e até 58%.
‘‘Embora as estimativas do Ipea estejam corretas em seus fundamentos, não levaram em conta fatores como o encurtamento, desde o ano passado, do prazo da maior parte da dívida atrelada ao dólar, que hoje representa 45% do passivo público total’’, afirma Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central.
Também preocupado com a trajetória da relação dívida/PIB, o economista Alberto Furuguem, da Macroanálises Consultoria, considera este o principal indicador da saúde das contas de um país; mais até do que os superávits primários. ‘‘A relação dívida/PIB indica a verdadeira capacidade de solvência de um país’’, afirma Thadeu de Freitas, ao concordar com Furuguem.

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