IPEA analisa uso do credito agrícola no Paraná
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quarta-feira, 11 de junho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A pedido do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), órgão vinculado ao Ministério da Planejamento, está fazendo uma pesquisa sobre os efeitos do crédito agrícola no resultado surpreendente da safra 2002/2003, que deve totalizar 116 milhões de toneladas de grãos. O IPEA iniciou a pesquisa pelo Paraná e posteriormente será estendida aos estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Ceará.
O coordenador de Políticas Públicas do IPEA, José Garcia Gasquim, e o pesquisador Carlos Monteiro Vilaverde escolheram o Paraná para iniciar a coleta de informações porque o Estado liderou a captação de recursos do crédito agrícola na safra 2002/2003. Coincidência ou não, o resultado da produção agrícola estadual também foi surpreendente com a colheita recorde de 24,028 milhões de toneladas de grãos.
Eles estiveram em contatos com técnicos da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), do Departamento Estudos Sócio Econômico Ruraisk (Deser), do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Planejamento (Deral) e com cooperativas de Maringá e Campo Mourão, para colher informações sobre a aplicação do crédito agrícola para as diferentes faixas de agricultores.
A captação de crédito agrícola no Paraná junto ao Banco do Brasil (BB) quase dobrou nos últimos quatro anos. O total emprestado para o financiamento do custeio e comercialização agrícola passou de R$ 1,17 bilhão na safra 1999/2001 para R$ 2,08 bilhão na safra 2002/2003. A liberação de crédito para a atual safra corresponde até o mês de maio. A previsão da Superintendência do BB no Paraná é que o valor do crédito totalize R$ 2,2 bilhões, devendo beneficiar 155 mil famílias atendidas.
Outra missão dos técnicos do IPEA é identificar como o crédito agrícola beneficia a agricultura familiar. No ano passado, 103.790 famílias de pequenos agricultores paranaenses tiveram acesso ao crédito no valor total de R$ 285 milhões. A meta é expandir essa participação para atender interesse não só do governo federal, mas também do BID, disse Gasquim.
O incremento do crédito agrícola no Paraná foi decorrente da redução das taxas de juros, que caiu a 8,75% para os médios e grandes agricultores e a 3% para os agricultores familiares. Além disso, houve uma sequência de safras recordes, amparadas por condições favoráveis de clima e mercado que levaram o agricultor a acessar mais as linhas de crédito, disse o técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Simioni.
De acordo com o técnico, nos últimos quatro anos foram deflagrados vários programas de apoio como Proleite, Prosolos e Moderfrota que alavancaram o setor agropecuário. Por outro lado, a pequena agricultura também avançou, em decorrência do trabalho da assistencia técnica oficial mais voltado para a agricultura familiar na organização dos agricultores e elaboração das propostas de crédito.


