Ipea afasta ideia de apagão de mão de obra
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terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil ainda não está sofrendo um apagão de mão de obra, mas precisa investir urgentemente em qualificação profissional, identificar áreas que mais precisam de força de trabalho especializada e ofecerer uma educação de qualidade. A análise faz parte do estudo divulgado ontem pelo órgão: ''Boletim Radar - Tecnologia, Produção e Comércio Exterior''.
A pesquisa, dividida em seis capítulos, recomenda que é preciso ampliar o contingente de pessoas com cursos médios, técnicos e superiores, principalmente em setores como Engenharia, Design e Tecnologia, por exemplo, que devem ganhar cada vez mais espaço na economia nacional. Para isso, lembra Paulo Meyer Nascimento, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, ''é necessário garantir uma educação melhor para se buscarem ganhos de produtividade''.
Ele ressalta que uma força de trabalho mais qualificada permite que as empresas reduzam custos de produção e incorporem novas tecnologias. No País, entretanto, o panorama ainda não é este. ''Sentimos que falta mão de obra qualificada em determinados setores, em algumas regiões. Por isso é necessário apurar onde isto está acontecendo e o que pode ser feito. Mesmo que não seja verificada uma escassez de mão de obra no geral, não significa que estamos dispondo da qualificação ideal para sustentar os níveis de crescimento observados nos últimos anos'', destaca.
O Ipea ainda destaca no relatório informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Estes dados indicam que apenas 41 em cada 100 brasileiros entre 25 e 64 anos têm ensino médio completo e somente 11 contam com nível superior. ''Este desempenho é preocupante e vai justamente no ponto em que estamos frisando. Não se mantém um crescimento econômico estável, sem uma força de trabalho qualificada. E sem uma especialização restringe-se o domínio de competências básicas e, consequentemente, o leque de possibilidades de produção fica limitado'', afirma Nascimento.
O estudo ainda lembra que no Brasil, o comércio, a administração pública e a construção civil têm grande peso na geração de emprego. O técnico do Ipea conta que estes setores foram os que mais empregaram grande parte da população nos últimos anos. ''Mas como tudo na vida, o mercado também tem um limite. É nesse momento que outras áreas aparecem com novas vagas precisando serem preenchidas. O crescimento de busca por trabalhadores em determinados setores indica a necessidade de investimento em formação e capacitação profissional'', completa.
Para traçar este panorama, o Ipea fez levantamentos sobre a situação do mercado e trabalho nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal, Recife, Fortaleza e Salvador.


