IPC/Fipe pode ser o menor desde 50
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quinta-feira, 05 de dezembro de 1996
Agência Estado 
SÃO PAULO - A inflação na cidade de São Paulo em novembro ficou abaixo das expectativas dos técnicos. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, foi de 0,34%. A taxa no mês anterior havia sido de 0,58% e a previsão para novembro era 0,50%. Com isso, a taxa, no período de 12 meses iniciado em agosto, vai ficar próxima a 5%, prevê o economista Heron do Carmo, coordenador da pesquisa. No ano, a inflação deve ficar próxima a 10%, a menor em 46 anos. Em 1950 a Fipe registrou uma taxa anual de 3,6%.
Em dezembro, o índice vai ficar praticamente estável. A variação vai oscilar entre 0,10% e 0,20%, afirma. É possível, segundo ele, que a inflação este ano fique até abaixo de 10%. A alta acumulada, no ano, até novembro, segundo a Fipe, é de 9,84%. Se o IPC tiver uma alta de até 0,14%, este mês não chega a 10%, calcula. Desde agosto temos inflação mensal abaixo de 0,6%, o que sinaliza que já estamos numa taxa anual de 5%, estima.
O quadro leva Carmo a rever as expectativas para 1997. A previsão era de uma taxa entre 6% e 7%. Agora, pode ficar entre 5% e 6%. O mais importante é que a tendência de queda se mantém. O efeito tarifa, que provocou maior impacto nos índices de inflação, já passou. Preços de combustíveis, energia elétrica, água e esgoto estão estáveis.
O reflexo do fim do efeito tarifa é o recuo nos gastos com transportes. Na primeira quadrissemana de novembro, esse item havia subiu 1,24%. No encerramento do mês, teve uma alta de apenas 0,25%. Passou o impacto da mudança do cálculo do ICMS sobre os combustíveis, e os demais preços que compõem esse item ficaram estáveis, explica Carmo.
Os preços dos alimentos deram a principal contribuição para que a alta, em novembro, ficasse abaixo do previsto. O custo da comida teve correção de apenas 0,11%. Os produtos industrializados passaram a custar, em média, 1,27% menos.


