Curitiba - Em meio à disparada do dólar e de possíveis pressões inflacionárias que isso possa causar, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a acelerar e registrou alta de 0,24% em agosto, após apresentar variação de apenas 0,03% em julho. A inflação também voltou a subir com o fim da queda dos alimentos. Os dados foram divulgados pelo IBGE ontem. O IPCA é o índice de inflação oficial do País e baliza a meta do governo de 4,5% para 2013, com intervalo de dois pontos para cima ou para baixo. Com o resultado de agosto, a inflação acumula alta de 3,43% no ano. Nos últimos 12 meses, a taxa ficou em 6,09%, abaixo do teto da meta da equipe econômica do governo de 6,5% neste ano.
Para o coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, o IPCA não subiu tanto, considerando a elevação que sofreu o dólar. Ele disse que o nível de atividade econômica caiu muito no mês passado, com redução na produção industrial e no consumo das famílias. Com menos demanda, consequentemente, a inflação apresentou resultado de 0,24%.
Após uma forte queda de 0,33% em julho, os preços dos alimentos não mantiveram a tendência de deflação e registraram aumento de 0,01% em agosto. Outras altas de destaque foram dos grupos habitação (0,57%), despesas pessoais (0,39%), saúde e cuidados pessoais (0,45%), educação (0,67%) e artigos de residência (0,89%). O único grupo em queda foi o de transporte (-0,06%), ainda refletindo a redução das tarifas de ônibus urbanos, depois das manifestações de junho.
Os aumentos mais importantes foram do leite (3,75%), farinha de trigo (2,68%), cerveja (2,63%), pão francês (1,56%) e macarrão (1,28%). A alimentação fora de casa também ajudou a colocar um fim no período de deflação do grupo, com altas em itens como refeição (0,76%), lanche (0,69%) e cerveja consumida em bares e restaurantes (0,56%). Dezordi prevê que os alimentos não devem pressionar tanto neste segundo semestre do ano.
O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, acredita que o aumento de alimentos também foi puxado pelo clima frio que atingiu o Sul do País.
Para Dezordi, a alta de artigos de residência está ligada ao aumento da venda de imóveis. "O setor de construção civil não está mostrando desaceleração", disse. Castro disse que o aumento do dólar fez os artigos de residência ficarem mais caros porque há vários produtos importados ou que utilizaram matérias-primas de outros países.
Já o aumento de 0,08% do vestuário, depois da deflação de -0,39% verificada em julho, pode ter sido provocado por um grande número de promoções em julho devido à queda no consumo destes produtos. Com isso, segundo Dezordi, quando se compara agosto com julho dá repique. Além disso, em agosto, houve uma antecipação da coleção primavera/verão. A previsão de Dezordi é que a inflação feche o ano entre 5,8% e 5,9%.

Curitiba
A inflação em Curitiba ficou em 0,42% em agosto e foi o segundo maior índice entre as 11 capitais pesquisadas, só perdendo para Brasília com alta de 0,46%. Os setores com maiores aumentos foram habitação (0,68%), artigos de residência (1,54%) e transportes (0,68%) que foi pressionado por gasolina. Segundo Dezordi, como a taxa de desemprego é muito baixa na capital (3,6%) tem motivado o consumo e, consequentemente, contribuído para o aumento da inflação. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem IPCA volta a subir com o fim da queda de preços dos alimentos
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