Agência Folha
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, disse ontem que o IPCA (Indice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, será o indicador usado para acompanhar as metas de inflação que serão fixadas para os anos de 1999, 2000 e 2001. Ele informou que essas metas devem ser divulgadas pelo ministro Pedro Malan (Fazenda) no final deste mês.
As metas de inflação funcionarão em um sistema de bandas. Ou seja: haverá uma margem de variação para cima e para baixo. Amadeo não quis dar detalhes o funcionamento desse mecanismo. Embora ele tenha afirmado que as metas ainda não estão definidas, os técnicos do Ministério da Fazenda estimam que a inflação média calculada pelos principais índices de preço ao consumidor ficará entre 6% e 8% neste ano. Amadeo disse, porém, que essas estimativas não são as metas de inflação.
Segundo ele, as metas de inflação até 2001 não estão fechadas. No acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), o governo estima inflação média de 6,5% em 2000 e de 5,2% em 2001, ambas medidas pelos indicadores de preço ao atacado - que costumam ficar acima dos índices de preço ao consumidor.
Ou seja, é provável que as metas de inflação para os próximos dois anos sejam menores que as previstas no acordo com o Fundo. A partir de 2002, o Brasil vai buscar uma inflação anual entre 2% e 2,5%, conforme disse à Agência Folha no final de maio o diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang.
Amadeo disse ainda que será criado um comitê supervisor formado por técnicos e acadêmicos especializados no cálculo da inflação para dar mais transparência ao IPCA e ‘‘velar por sua metodologia e divulgação’’. A escolha desses técnicos será feita por Malan até o final deste mês. Também foram selecionados dois índices alternativos ao IPCA do IBGE: o IPC da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e o IPC da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Amadeo disse que a escolha do IPCA se justifica porque ele é mais abrangente em termos geográficos e populacionais. A pesquisa para o cálculo do IPCA é feita nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
O índice abrange 40% da população urbana e 30% da população total do País. São coletados 200 mil preços de 1.360 produtos consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, sempre entre o primeiro e o último dia útil do mês. O IPCA será divulgado sem qualquer expurgo, disse Amadeo. Ele não quis falar, mas Werlang já disse que as metas de inflação serão decrescentes.
O diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, Antonio Porto Gonçalves, criticou a escolha do IPCA, como parâmetro do governo para as metas de inflação. ‘‘Vão estatizar o índice de inflação’’, criticou. ‘‘O governo está assinando um contrato de gestão com a sociedade em que ele mede o seu próprio desempenho.’’Índice, calculado pelo IBGE, abrange 30% da população brasileira e é elaborado a partir de 200 mil preços de 1.360 produtos
Arquivo FolhaPiso e tetoAmadeo, secretário de Política Econômica, diz que metas de inflação vão funcionar em sistema de bandas

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