IPCA termina abril com alta de 0,67%
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sexta-feira, 09 de maio de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Após a alta de 0,92% em março, a inflação oficial do País arrefeceu e encerrou abril com alta de 0,67%. Os dados fazem parte da pesquisa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação acumula alta de 2,86% no ano e de 6,28% nos últimos 12 meses, pouco abaixo do teto da meta do governo para 2014, que é de 6,5%. O resultado de abril do IPCA ficou dentro do previsto por analistas, que esperavam uma taxa entre 0,60% e 0,70%.
O recuo da inflação de abril ocorreu em função da menor pressão dos preços do grupo alimentação e bebida, que subiu 1,19% em abril, menos que os 1,92% de março. Mesmo assim, grande parte dos alimentos continuou com preços em alta, sendo que alguns subiram menos que em março. O grupo transporte também cedeu com aumento de 0,32% contra o percentual de 1,38% que tinha sido registrado em março. No entanto, o grupo dos alimentos continuou apresentando a mais elevada variação e teve o maior impacto na contribuição do mês com 0,30 ponto percentual.
A pesquisa mostrou também que muitos itens de grande peso no consumo das famílias estão subindo acima da inflação em 12 meses encerrados em abril. É o caso de alimentos (7,38%), habitação (7,62%), artigos de residência (6,83%), saúde e cuidados pessoais (6,62%), despesas pessoais (8,67%) e educação (8,65%). Apenas três grupos avançaram em ritmo inferior à média dos 12 meses como vestuário (4,75%), transportes (3,62%) e comunicação (0,59%).
Apesar da queda da inflação em abril, nem todo mundo sente este impacto da mesma forma no bolso. O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, explica que o IBGE faz uma média ponderada, que não representa a realidade de todas as famílias. Tem pessoas que não gastam com educação porque os filhos estudam em escola pública, por exemplo, disse. Segundo ele, os grupos que têm peso maior na composição da inflação são alimentos, habitação e transporte. Justamente estes itens são os que estão subindo e os que têm maior peso para as famílias de menor renda.
Em abril, o aumento menor de transportes foi influenciado pela queda de 1,87% nas passagens aéreas e pelos reajustes menores de etanol (0,59%), da gasolina (0,43%) e dos ônibus urbanos (0,24%). As tarifas de ônibus intermunicipais também cresceram menos (0,35%), assim como os automóveis novos (0,29%) e os usados (0,20%). Segundo Dezordi, o grupo transportes tinha subido anteriormente com a antecipação da compra de passagens aéreas para a Copa do Mundo.
No mês passado também ocorreu alta em habitação (0,87%) por conta do aumento da energia elétrica em alguns estados e da taxa de água e esgoto que está 5,91% mais cara no Recife e 6,40% no Paraná desde o final do mês de março. Vestuário subiu 0,47% em abril em função da entrada da coleção de outono e inverno. O grupo de saúde e cuidados pessoais também teve elevação em abril e subiu 1,01% em decorrência do aumento dos remédios que tiveram reajuste entre 1% e 5,68%, dependendo do tipo do medicamento.



