IPCA sobe para 0,65% com desvalorização do real
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro Os efeitos da alta do dólar chegaram à mesa das famílias e foram os principais responsáveis pela inflação de 0,65% registrada em agosto pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para a meta inflacionária do governo.
A variação do câmbio provocou a maior alta nos produtos alimentícios (1,94%) registrada desde agosto de 2000 e respondeu, sozinha, por mais de dois terços, ou 0,5 ponto porcentual da inflação do mês. O câmbio não impediu, porém, queda do índice em relação a julho (1,19%).
A inflação já acumula no ano elevação de 4,85% e, em 12 meses, de 7,46%. A gerente do Sistema de Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, confirmou que ''os efeitos do câmbio chegaram ao consumidor''.
O pão francês, influenciado pela alta do trigo provocada pelo dólar, apresentou a maior contribuição individual para a inflação no mês (0,14 ponto porcentual, com alta de 9,7%).
Do total de 0,42 ponto porcentual da contribuição dos produtos alimentícios para a inflação de agosto, quase a totalidade, ou 0,386 ponto porcentual, foi efeito do dólar. Além dos alimentos, houve influência do câmbio também sobre as tarifas de energia elétrica (1,11%), tarifas aéreas (7,09%), pneu e câmara de ar (3,02%), tratamento dentário (1,44%) e artigos de limpeza (1,03%).
Os impactos da desvalorização do real foram ainda maiores em agosto para as famílias de menor renda. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) atingiu 0,86%, maior do que o IPCA do mês porque o peso dos produtos alimentícios é muito maior no índice. O INPC se refere às famílias com rendimento entre um e oito salários mínimos, enquanto o IPCA tem como referência renda entre um e 40 mínimos.
Pão francês Os alimentos que subiram em função do dólar tiveram contribuição de 0,66 ponto porcentual no INPC , superior ao 0,42 ponto porcentual no IPCA. O pão francês também teve aumento ainda maior (10,17%) na inflação medida pelo INPC, com contribuição de 0,22 ponto porcentual.
''São produtos com peso muito elevado na inflação medida na população de renda menor'', explicou Eulina. Ela disse que não há como saber se o câmbio manterá o impacto sobre a inflação em setembro. ''A gente ainda não sabe se os repasses chegaram ao pico'', afirmou.
Em direção contrária a dos alimentos, os preços administrados reduziram o impacto sobre a inflação no mês, depois de atuarem como os principais responsáveis pela elevação do índice em julho. A telefonia fixa, que havia dado a principal contribuição de alta no mês anterior, com variação de 10,54%, teve aumento bem menor (0,30%) em agosto.
O gás de cozinha e a gasolina contribuíram para conter a alta do IPCA em agosto, segundo Eulina. O gás de cozinha apresentou redução de 3,11% no mês, sob efeito da queda de 12,4% nas refinarias a partir de 14 de agosto. Em julho, o produto havia apresentado alta de 4,42%.
No caso da gasolina, houve queda de 1,39% nos preços, segundo a gerente, em consequência de uma ''acomodação nos reajustes'' do produto, que havia apresentado alta de 2,87% em julho.


