IPCA sobe 0,03% em julho e fica dentro da meta
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quarta-feira, 07 de agosto de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O ritmo de alta da inflação caiu em julho e voltou a ficar dentro do teto da meta estabelecida pelo governo para o ano que é de 6,5%. No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,03% e ficou abaixo dos 0,26% registrados em junho. Os principais motivos para isso foram a diminuição da pressão sobre os preços dos alimentos e a revogação do aumento das passagens de ônibus de transporte coletivo em diversas capitais, depois dos vários protestos populares que ocorreram pelo País.
Esta foi a menor variação mensal da inflação desde julho de 2010, quando o índice também tinha ficado próximo à estabilidade. O resultado do mês passado foi próximo do esperado pelo mercado, que previa estabilidade. Com o resultado de julho, a taxa acumulada em 2013 ficou em 3,18%. Já a inflação em 12 meses teve variação positiva de 6,27%.
Após alta de 0,04% em junho, alimentos e bebidas tiveram deflação de 0,33% no mês passado. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não ocorria queda nos preços dos alimentos desde julho de 2011, quando apresentou diminuição de 0,34%.
De acordo com a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, o aumento da safra agrícola este ano ajudou a reduzir a pressão sobre o preço dos alimentos. O tomate, que foi o vilão da inflação no começo do ano, teve queda de 27,25% no mês.
Com a revogação do aumento das passagens de ônibus em diversas capitais, o grupo Transportes teve queda de 0,66%. Foi a maior redução deste grupo desde junho de 2012, quando tinha caído -1,18%. Alimentos e Transportes juntos têm peso de 43,8% no IPCA e são as despesas mais importantes do orçamento das famílias.
As tarifas de ônibus urbanos ficaram 3,32% mais baratas e lideraram a relação dos impactos para baixo, com -0,09 ponto percentual. Em Curitiba, a tarifa de ônibus caiu de R$ 2,85 para R$ 2,70 a partir de 1º de julho.
O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, disse que além dos alimentos e dos ônibus, a sazonalidade também contribuiu para a queda da inflação. "Em julho, não há reajustes de educação, por exemplo."
Para o professor do curso de Economia da PUC-PR, Carlos Magno Bittencourt, a redução da inflação em julho também já é uma reação ao aumento dos juros promovido pelo Banco Central. Para ele, o ideal seria o País estar no centro da meta da inflação de 4,5%. "Não dá para comemorar os 6,27%", reclamou. Para ele, o aumento do dólar deve refletir na inflação, ou seja, nos preços para o consumidor.
Dezordi considerou como positiva a inflação nos últimos 12 meses, mas avaliou que a taxa "ainda está perigosa" por três motivos. Um deles é o câmbio que não para de subir. Segundo ele, daqui dois ou três meses, a alta do dólar pode trazer impactos para o consumidor final. Outra preocupação são os reajustes que estão deixando de serem aplicados como transporte público, gasolina, gás, entre outros preços administrados. Ele destaca que esta é a chamada "inflação escondida", que pode começar a trazer reflexos a partir de 2014.
O outro motivo que pode elevar o IPCA é a inflação de serviços que já está em 8,5% nos últimos 12 meses. "Esta inflação é o que faz o Brasil ficar com a taxa anual entre 5,5% e 6%", explicou. (Com agências)



