IPCA recua para 0,52%, menor taxa de janeiro desde 1980
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sábado, 09 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A inflação recuou para 0,52% em janeiro, pelo cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado para definir as metas do governo. Em dezembro, a taxa havia registrado 0,65%. O resultado é o menor no mês de janeiro desde o início da série histórica do IBGE, em 1980, e foi beneficiado pela queda de 9,92% no preço da gasolina, que sozinha contribuiu com -0,44 ponto porcentual.
Apesar da redução, a população de menor renda continua sendo mais afetada pelos reajustes de preços. Para quem ganha de um a oito salários mínimos, a inflação em janeiro foi de 1,07%, como revela o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
No caso do IPCA, a pesquisa abrange famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Comportamento similar dos dois índices já havia sido registrado em dezembro (INPC de 0,74% e IPCA de 0,65%). Mas a confirmação de que a inflação tem sido mais elevada para os mais pobres está nos índices acumulados em 12 meses. O IPCA alcançou no período 7,62%, enquanto o INPC foi de 9,77%.
A chefe do Departamento de Índice de Preços do IBGE, Márcia Quintslr, explicou que em janeiro as maiores altas de preços ocorreram em produtos que têm maior peso no INPC, como gás de botijão, alimentação e energia elétrica.
Sobre o resultado dos últimos 12 meses, ela destacou que, no período, os produtos que têm registrado maiores elevações, como alimentos e preços administrados, consomem uma parcela maior do orçamento da população de baixa renda.
A queda no IPCA de dezembro para janeiro foi resultado, além da redução dos preços da gasolina, da menor intensidade no reajuste de artigos de vestuário (1,91% em dezembro e 0,55% em janeiro), devido ao início das liquidações de verão. As maiores pressões de alta foram exercidas pelo gás de botijão (17,87%) e pelos produtos alimentícios (0,85%).
Entre os alimentos, os maiores reajustes ocorreram em produtos com forte influência sazonal (efeitos do clima ou da safra), especialmente cenoura (36,47%), chuchu (32,32%), hortaliças e verduras (8,56%), batata-inglesa (6,59%) e feijão carioca (5,53%).
Houve alta de 1,34% nos preços dos ônibus urbanos devido ao aumento de 15% nas tarifas de Belo Horizonte (MG) no final de dezembro e de 4,51% na energia elétrica, resultado do reajuste anual no Rio de Janeiro e também do aumento extraordinário de 2,9% autorizado pelo governo para todas as regiões submetidas ao racionamento.
A região metropolitana de Belo Horizonte registrou a maior taxa de inflação em janeiro, enquanto Goiânia apresentou a taxa mais baixa (0,04%). Em São Paulo, a inflação (0,19%) foi a segunda menor do País e registrou queda significativa em relação a dezembro (0,52%).


