São Paulo - As primeiras surpresas com a inflação corrente e as alterações constantes das expectativas para 2008 e 2009 na Pesquisa Focus já haviam acendido o sinal amarelo. Ontem, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que subiu 0,79% em maio, que ficou acima das projeções do mercado e é o maior para meses de maio desde 1996, acabou por enfatizar as preocupações dos
Isto porque, na semana passada, economistas que já manifestavam preocupação em relação a esta hipótese, avaliavam que a possibilidade mostra-se cada vez menos remota. Eles calcularam que, levando-se em consideração a mediana das instituições Top 5 da Focus, de 5,70%, o desvio nos próximos sete meses para que a inflação atinja o teto até o final do ano é de apenas 0,11 ponto porcentual ao mês.
A diferença, de acordo com eles, era bem inferior aos desvios verificados nos últimos meses e que tanto surpreenderam os analistas.
O pior é que o IPCA de ontem só corroborou esta preocupação. O índice de maio ficou em 0,79% ante expectativas de 0,60% a 0,71%, obtidas pelo AE Projeções. O fato é que a mediana esperada era de 0,65%. Desta forma, levando-se em conta este desvio, a diferença é de 0,14 ponto porcentual, um afastamento de 0,03 pp acima do que já era necessário ao mês até o final do ano. Quando é observada a mediana das previsões da Focus da última segunda-feira, o desvio é ainda maior, de 0,16 pp, já que estava em 0,63%. ''O desvio do primeiro mês já foi'', comentou um economista.
Os alimentos registraram em maio a maior elevação (1,95%) mensal apurada pelo IBGE desde o início do Plano Real (1994). O grupo de alimentos e bebidas contribuiu, sozinho, com 0,43 ponto porcentual, ou 54%, do IPCA de maio. A alta de maio foi bem acima da variação de 1,29% em abril. O segmento já acumula alta nos preços de 6,4% em 2008, que supera a variação acumulada em todo o ano passado (2,81%).
Segundo o documento de divulgação da pesquisa, ''poucos alimentos escaparam da alta generalizada, sendo as frutas (-5,40%) e o feijão carioca (-11,26%) as exceções a serem destacadas. Os demais preços tiveram crescimentos expressivos''. O arroz liderou a contribuição individual (0,11 ponto porcentual) do IPCA de maio, com aumento de 19,75% nos preços. Outros destaques de alta foram o pão francês (4,74%) e as carnes (3,45%).
IGP-M
A primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho subiu 1,97%, a maior nível para uma primeira prévia desde dezembro de 2002, quando esse tipo de indicador subiu 2,61%. A aceleração nos preços foi verificada em todos os indicadores que compõem o índice, que subiu 0,61 ponto porcentual em relação à primeira prévia de maio. O indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ainda pegou os economistas de surpresa: ficou 0,37 ponto porcentual acima do teto das previsões do analistas consultados pela Agência Estado, que variavam de 1% a 1,60%.

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