A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 1,31% em agosto para 0,23% em setembro, Com isso, o índice, usado para estabelecer a meta de inflação do governo com centro em 6% este ano, está acumulando 4,87% de janeiro a setembro.
‘‘A taxa de setembro teve uma queda abrupta em relação a agosto’’, disse a gerente do Sistema de Índice de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, responsável pelo cálculo do IPCA. ‘‘Foram exatamente os alimentos e os combustíveis que subiram em julho e agosto que trouxeram o índice para baixo em setembro’’, comentou.
As principais causas para a queda da inflação em setembro foram a redução nos preços da gasolina, de 1,70%, e do gás de bujão, de 0,54%, assim como a diminuição no ritmo de aumentos dos preços dos alimentos e do álcool. O álcool aumentou 0,81% em setembro. ‘‘Isso pode ser considerado residual, já que em agosto a alta do álcool foi de 16,70%’’, disse.
Os alimentos, que tinham subido 2,07% em agosto, em setembro aumentaram 0,53%. Este percentual de alta dos alimentos se deve quase totalmente à alta dos tomates, de 23,81%, e da batata inglesa de 19,37%, devido à sazonalidade e a quebra da safra da batata. Produtos que tinham subido muito nos meses anteriores como o leite pasteurizado e as hortaliças tiveram queda de preço ou altas bem menores. O preço do leite, por exemplo, caiu 2,99% e o das hortaliças, 8,22%.
Eulina lembrou que antes dessa alta de julho e agosto, por fatores que já pararam de pressionar os preços, a inflação do primeiro semestre deste ano foi muito baixa. Ela listou dois fatores como previsíveis pressões de alta até o final do ano. O primeiro é um possível aumento nas tarifas de ônibus urbano, que pesam 4,2%, e ainda não tiveram reajuste este ano em São Paulo, Brasília, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba. O outro é a energia elétrica que tem peso 3,4%, e ainda será areajustada no Rio, em Recife e em Goiânia. Outro fator, não agendado porém, é a possibilidade de o governo vir a autorizar um eventual aumento de combustíveis por conta da alta de petróleo internacional.
Eulina observou que a inflação medida pelo IPCA acumulada nos últimos 12 meses até outubro deve ser menor que a dos últimos 12 meses até setembro, que ficou em 7,77%. Isso porque o índice deste mês, a ser divulgado em novembro, deverá ser bem menor que o de 1,19% de outubro do ano passado. ‘‘Para a série de 12 meses, esse índice de outubro passado vai sair e ser substituído pelo deste mês’’ , explica.
O IBGE também divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de setembro, que ficou em 0,43%, ante 1,21% em agosto. O INPC refere-se a famílias com renda de um a oito salários mínimos, enquanto o IPCA – usado como referência da meta inflacionária do Banco Central – abrange famílias com de um a 40 mínimos. Segundo Eulina, a redução da inflação foi menor para os mais pobres principalmente porque o item que individualmente mais contribuiu para a redução do IPCA, a gasolina, tem peso bem menor no INPC.