Brasília - O mercado financeiro continua pessimista em relação à trajetória da inflação deste ano. Na mesma semana em que o Banco Central divulgou o Relatório de Inflação prevendo que o IPCA deverá fechar 2004 com uma variação de 6,4%, as instituições financeiras ouvidas em pesquisa semanal do BC elevaram suas projeções de 6,96% para 7%. O aumento deixou as previsões ainda mais distantes dos 5,5% do centro da meta de inflação deste ano. Para 2005, as estimativas dos bancos ouvidos pelo BC permaneceram estáveis em 5,5%, um ponto porcentual acima dos 4,5% do centro da meta do próximo ano.
As expectativas para o IPCA em 12 meses à frente também foram contaminadas pelo pessimismo e subiram pela oitava semana consecutiva, passando de 6,25% para 6,48%. O porcentual, com isso, se distanciou ainda mais dos 5,1% da trajetória de metas para 12 meses estabelecida pelo BC. A pesquisa ainda registrou uma elevação das projeções de reajuste dos preços administrados neste ano de 7,80% para 7,90%, enquanto as previsões para 2005 subiram de 6,50% para 6,52%.
Com a perspectiva de aumento de preços, o mercado tornou-se menos otimista em relação à trajetória da queda da taxa básica de juros até o final do ano. As estimativas para a Selic em dezembro subiram de 15% para 15,13%. Com isso, como a taxa atual está em 16%, o mercado espera que a diretoria do BC, nas próximas seis reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), reduzirá a Selic em apenas 0,87% ponto porcentual.
As previsões para a taxa de juros no fim de 2005 também aumentaram de 13,50% para 13,75% ao ano, reduzindo a previsão de queda das taxas no próximo ano de 1,5 ponto porcentual para 1,38 ponto porcentual.
O mercado também não acredita em aumento dos investimentos externos. As projeções para o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) neste ano recuaram de US$ 10,50 bilhões para US$ 10 bilhões, o que deixou a estimativa ainda mais distante dos US$ 12 bilhões projetados pelo próprio BC. Mesmo com a redução, as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ficaram estáveis em 3,5%, mesmo porcentual estimado pelo BC. Para 2005, as projeções de fluxo de IED ficaram estáveis em US$ 13 bilhões.
Sem investimentos externos, as instituições financeiras acreditam que a balança comercial continuará sendo fundamental para as contas externas. As previsões de mercado para o superávit em conta corrente do balanço de pagamentos deste ano aumentaram de US$ 4,20 bilhões para US$ 4,60 bilhões. O levantamento identificou, ao mesmo tempo, uma elevação das estimativas de superávit da balança comercial neste ano de US$ 27,51 bilhões para US$ 28 bilhões.

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