IPCA encerra 2006 com inflação de 3,14%
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2007
Clarice Spitz<br>Folhapress 
Rio de Janeiro- O IPCA encerrou 2006 com uma inflação de 3,14%, praticamente a metade da taxa apurada em 2005, que foi de 5,69%. Trata-se do menor índice oficial de inflação desde 1998, quando a alta havia sido de 1,65%.
O resultado fica bem abaixo do centro da meta de inflação para este ano, que era de 4,5%. É a primeira vez que isso acontece desde o início do regime de metas e reforça o discurso da política conservadora de juros do Banco Central.
Com o resultado, o Brasil passa a ocupar o terceiro lugar entre os países da América Latina com menor índice de preços, atrás apenas do Peru (2,4%) e do Panamá (2,8%). No ano anterior, o Brasil estava bem atrás, na 11 posição entre os 19 países latino-americanos do ranking.
O ranking foi elaborado pelo economista-chefe da consultoria Austin Ratings, Alex Agostini e leva em consideração os índices de preço projetados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em setembro - último relatório disponível.
Entre as economias emergentes, o Brasil ocupa em 2006 a 11 posição, na frente do Equador (3,2%) e Chile (3,5%), por exemplo. Nessa comparação, a Argentina aparece em 33º lugar (9,8%). A Polônia tem a mais baixa inflação entre os emergentes, 0,9%, e é seguida pela Arábia Saudita, com 1%, e por alguns países asiáticos.
Entre os Brics - grupo de economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China-, o Brasil aparece em segundo lugar, com o dobro da inflação da China (1,5%). A Índia fica em terceiro, com inflação de 5,6%, e a Rússia, com 9,7%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o real valorizado, a boa oferta de produtos agrícolas e os menores aumentos de tarifas públicas sustentaram a redução da inflação ao longo do ano passado.
Os alimentos tiveram alta de 1,22%. Os artigos de residência, que abrangem mobiliário e artigos domésticos, registraram variação negativa de 2,72%. A energia elétrica teve resultado muito próximo da estabilidade no ano (0,28%) e as tarifas de telefonia fixa caíram 0,83%. O reajuste dos combustíveis, de 2,30%, também ficou abaixo do índice geral.
Outros itens que não pressionaram os preços foram higiene pessoal (0,65%), aparelhos de TV, som e informática (-12,07%) e artigos de limpeza (-2,29%).


