IPCA em alta deve provocar o aumento dos juros
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A divulgação, ontem, do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro tornou ainda mais difícil a busca do Banco Central (BC) por argumentos que poderiam justificar uma não elevação da taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem. A afirmação é do economista-chefe do Banco Fibra, Guilherme da Nóbrega. O IPCA de janeiro atingiu alta de 2,25%, o maior nível verificado em janeiro desde a criação do Real.
Para ele, o comitê poderá elevar a taxa básica de juros em 1 ponto porcentual, dos atuais 25,5% para 26,5% ao ano. ''A alta forte do IPCA não chega a surpreender. Bateu em 2,25%, confirmando a tendência já apontada pelo IPC-Fipe, de 2,19%, e pelos indicadores que a FGV divulga a cada semana, agora acrescidos do IPC-S semanal'', pondera Nóbrega.
Segundo ele, a variação do IPCA ficou acima dos 2% que era a aposta média dos analistas ouvidos pela Agência Estado, mas as razões já eram conhecidas. ''No topo está o grupo Transportes, que ao subir 4,2% representou quase 40% do índice total e revela que se não fosse o aumento da gasolina o IPCA teria fechado abaixo dos 2%'', avalia o economista do Fibra. Na opinião de Nóbrega, como os demais indicadores de variação de preços ao consumidor, é o abrandamento nos preços dos combustíveis que deve trazer para baixo a alta em fevereiro.
''Talvez para algo em torno de 1,5%'', afirma o analista, destacando que apesar de continuarem a pressionar as inflação, os preços dos combustíveis perderão o título de líderes isolados. Contudo, prevê o chefe do Departamento Econômico do Fibra, a queda da inflação não será tão rápida. ''Mesmo descontando as altas pontuais e sazonais a queda será lenta. O fim das pressões de 2002 no câmbio é apenas uma especulação e o rumo do dólar em 2003 é duvidoso'', analisa.
Além disso, acrescenta o economista, o IPCA acumula alta de 14,4% em doze meses e até o final do ano o BC planeja trazer esse número para 8,5% da meta ajustada enquanto o mercado aponta para uma taxa de 11% a 12%. ''Por isso, temos dito que o BC vai ter que procurar bem seus argumentos se quiser não subir juros no próximo Copom'', afirma Nóbrega.


