IPCA é o maior em 12 meses: 1,33%
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência pelo governo para as metas de inflação e medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), fechou em 1,33% no mês de julho, maior taxa desde o mesmo mês no ano passado, de 1,61%. As tarifas administradas foram as principais responsáveis pela inflação no mês passado. Responderam pelo impacto de 0,93 ponto porcentual, o equivalente a 70% do índice de julho. No acumulado do ano, o IPCA está em 4,32% e nos 12 meses anteriores, em 7,05%. Em junho, o acumulado de doze meses estava em 7,35%.
''O impacto dos preços administrados foi todo concentrado em julho'', comentou Eulina Nunes dos Santos, gerente do Sistema de Índices de Preços do instituto. A gerente preferiu não fazer projeções quanto ao índice do próximo mês, mas sinalizou que as tarifas poderão gerar efeito apenas residual em agosto. Conforme acordo recém-firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a próxima meta trimestral de inflação prevê um alvo central de 6%, com variação de dois pontos para cima e dois para baixo. Em dezembro, o alvo, pelo acordo, é de 5,8%. Apesar disto, o governo assegura que mantém a meta interna de inflação de 4%, para o fim do ano, com a mesma margem de variação.
O ex-ministro da Economia e presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Marcílio Marques Moreira, avalia que a taxa de julho ''deve ser o pico desta montanha''. A partir daí, começará uma curva descendente, para chegar no fim do ano entre 6% e 6,5%, avalia o ex-ministro. ''Acho que nas circunstâncias atuais, esta taxa não será ruim. Estamos vindo de uma série de choques externos e internos, que explicam este desvio, que não é tão grande assim, já que se esperava uma inflação entre 2% e 6% este ano'', comentou o Marques Moreira.
A principal contribuição de preços administrados para o IPCA divulgado ontem foi dos combustíveis. A gasolina, que variou 7,01% em julho, gerou impacto de 0,29 ponto porcentual na taxa de inflação, e o gás de bujão, que variou 5,9%, acarretou 0,07 ponto. Também avançaram energia elétrica (5,25%), ônibus intermunicipal (5,52%) e telefonia fixa (5,64%). Outros destaques foram correio (29,63%), ônibus interestadual (11,65%) e metrô (6,27%). (AE)





