Agência Estado
Do Rio
O ano termina com uma inflação de 8,92% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado para corrigir a Ufir. O IPCA-E tem a mesma metodologia de cálculo do IPCA – a taxa que baliza o sistema de metas de inflação do governo. Mas o índice especial é coletado entre a metade do mês anterior e a metade do mês de referência, e informado trimestralmente. O resultado do último trimestre foi de 2,72%.
A taxa de dezembro, de 0,91%, ficou acima do esperado, segundo o economista Luiz Roberto Cunha, membro do conselho consultivo formado pelo IBGE para avaliar a metodologia de cálculo do IPCA. ‘‘O índice de dezembro mostrou que ainda há pressão no item alimentos, apesar da tendência de queda dos preços’’, explicou. Isso altera a estimativa de que o IPCA de 1 a 31 de dezembro fosse de 0,60%. Em outubro, o IPCA-E foi de 0 80% e em novembro, de 0,99%.
Se o IPCA de dezembro ficasse no patamar esperado por Cunha, o índice fechado do ano seria de quase 9%. Agora, deve ficar um pouco acima disso. ‘‘Mas não há a menor chance de passar de 10%’’, frisou. O Banco Central fixou uma meta de inflação de 8% para 1999, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Cunha afirmou que, em janeiro, o reajuste das tarifas de ônibus em São Paulo, por exemplo, vai pressionar a inflação. O índice ao consumidor no País deve ficar entre 0,5% e 1% no mês que vem. Em relação às metas trimestrais para os 12 meses encerrados em março, junho, setembro e dezembro de 2000 – 7,5%, 7%, 6,5% e 6%, respectivamente, também com folga de dois pontos –, a inflação deve ficar ‘‘na margem superior, durante o primeiro semestre’’, acredita.
O IPCA-E de 1999 foi 7,26 pontos percentuais acima do 1,66% registrado no ano passado. O grupo que teve a maior alta este ano foi o de transportes, com 21,09%. Os preços da gasolina subiram 56,94% e o álcool foi reajustado em 33%. A variação do grupo comunicação foi de 9,25%, por causa do aumento de 9,39% nas tarifas de telefones fixos. As despesas com artigos farmacêuticos cresceram 17,69%. A alta de alimentação foi de 7 56%, enquanto aparelhos de televisão subiram 23,26% e gás de bujão, 54,97%. Os menores aumentos foram registrados em artigos de vestuário (4,14%), educação (3,89%) e despesas pessoais (2,57%).

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