IPCA do trimestre sobe e ameaça meta
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quarta-feira, 11 de abril de 2001
Agência Folha Do Rio 
No primeiro trimestre deste ano o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) acumulou uma inflação de 1,42%, acima dos 0,97% registrados no mesmo período do ano passado. Com o resultado, especialistas ouvidos pela Agência Folha acreditam que a meta central de inflação do governo, de 4%, está comprometida.
A meta este ano é bem mais apertada do que a do ano passado. No primeiro trimestre, já estamos com praticamente meio ponto percentual acima do que em 2000, quando a meta era maior (de 6%), disse o economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate.
Já consumimos quase 35% da meta em apenas três meses, afirmou o economista-sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano. O economista do Lloyds prevê que o IPCA atingirá 4,5% no final do ano, mas disse ser provável que fique acima disso. Marcelo Cypriano vai mais longe. Arrisca que o IPCA de 2001 chegará a 5% 1 ponto percentual acima da meta.
Nenhum dos dois acredita, por enquanto, que a inflação poderá superar os 6% e comprometer a folga de dois pontos percentuais para cima que a meta permite. Existem dois complicadores que ainda podem refletir nas taxas futuras de inflação: a disparada do dólar no mês passado e o aquecimento da economia.
Cypriano disse que o dólar cotado a R$ 2,05 já pressiona a inflação e tira um bocado da meta. Com o atual nível, de R$ 2,15, ele afirmou que a situação se complica. O IPCA deste mês já deve trazer impactos da desvalorização do real. Para Abate, a economia aquecida permite que os empresários repassem ao consumidor a elevação de custos industriais causada pela alta do dólar.
Cypriano lembrou ainda que o período de maior pressão para a inflação ainda não chegou. Virá em julho e agosto, com os reajustes das tarifas públicas, o que pode prejudicar ainda mais o cumprimento da meta. Apesar da alta no trimestre, o IPCA de março ficou um pouco abaixo do registrado em fevereiro -0,38%, contra 0,46%.
De acordo com Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do IPCA, a pequena queda da inflação foi causada pela menor pressão do item ônibus urbano, depois dos aumentos em seis capitais em fevereiro. O grupo passou de alta de 2,23% em fevereiro para elevação de 0,29% em março.
Em março, os alimentos e bebidas tiveram a maior alta -1,17%, contra 0,55% em fevereiro. O grupo teve impacto de 0,26 ponto percentual na taxa do mês passado. O produto que teve o maior aumento foi o feijão, por causa da quebra de safra provocada pela estiagem. O preço do produto subiu 17,68%, com impacto de 0,04 ponto percentual no IPCA.


