IPCA dispara e maior taxa é a de Curitiba
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Das agências Do Rio 
Os analistas de mercado foram surpreendidos ontem pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de agosto, com preços coletados entre 15 de julho e 15 de agosto, que ficou em 1,99%. Esperavam menos, mas o aumento dos combustíveis, de 17,52%, e o dos alimentos e bebidas, de 2,5%, puxaram o índice para cima. Em São Paulo, a inflação ficou acima da média nacional e foi de 2,2%. O IPCA-15 de agosto ficou acima de 2% em cinco das onze áreas pesquisadas. Curitiba teve a inflação mais alta, com 2,50%. A menor inflação das localidades pesquisadas pelo IBGE foi a de Belém, com 1,33%.
Há mais de cinco anos, desde o IPCA de junho de 1995, não se via um número tão alto quanto o 1,99% na série do IPCA-15 e do IPCA, que é calculado da mesma forma que o IPCA-15, mas com preços recolhidos entre o primeiro e o último dia de cada mês. O IPCA é usado pelo governo para fixar a meta de inflação, fixada este ano em 6%, com margem de dois pontos para cima ou para baixo.
O IPCA de agosto, no entanto, deve ficar abaixo do IPCA-15 e menor também que o 1,61% do IPCA de julho. Isso se justifica porque o IPCA-15 pegou integralmente o choque de tarifas e parte da pressão de alta dos alimentos atingidos pelos problemas climáticos, que já sofreram uma reversão forte, diz o professor Luiz Roberto Cunha, da PUC do Rio.
A gerente do Departamento de Sistemas de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes, explica que o reajuste dos combustíveis autorizado pelo governo a vigorar desde o dia 15 de julho foi captado inteiramente pelo IPCA-15 de agosto, mas não o será pelo IPCA do mês. Isso porque boa parte já foi contada no IPCA de julho. O aumento da gasolina registrado no IPCA de julho, por exemplo, foi de 10,27% e no IPCA-15 de agosto foi de 16,90%. No IPCA de agosto deverá ser menor que isso.
A maioria dos analistas já previa na semana passada, segundo pesquisa do Banco Central, que a inflação ficará acima do centro da meta, em torno de 6,2% ao ano. Com o IPCA-15 divulgado ontem, alguns revisaram para cima suas previsões para o IPCA de agosto.
O economista-chefe do BBVA, Octávio de Barros, por exemplo, contou que elevou sua previsão para o mês de 1,2% para entre 1,2% e 1,3%. Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank, também aumentou sua previsão para o mês, passando-a para entre 1,15% e 1,20%. Os dois, no entanto, mantiveram suas previsões para o ano. A do BBVA é de 6,4% e a do Citibank, de 6,5%.
O chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Paulo Sidney Melo Cota, prevê que o IGPM de agosto, a ser divulgado na quinta-feira, fique entre 2,3% e 2,5%, mais alto que o 1,57% registrado em julho. Cota prevê que o IPCA de agosto fique em torno de 1,5% e observa que alguns alimentos, como milho, feijão, carne de suínos e derivados de trigo, estão aumentando.


