A inflação de julho no País foi quase igual à de todo o primeiro semestre. Foi a mais alta, em um mês, desde julho de 1995. Superou as expectativas do governo e do mercado. Curitiba teve a inflação regional medida pelo IPCA mais elevada em julho: 2,31%. Com esse resultado, a capital do Paraná acumula uma inflação de 4,5% no ano, taxa superada apenas pela região metropolitana de Porto Alegre (4,78%).
O IPCA de julho subiu 1,61%, na maior parte provocado pela alta dos preços administrados pelo governo – isto é, aqueles cujo aumento depende de autorização federal ou são por ele regulados. Em junho, a inflação havia sido de 0,23%. Combustíveis, telefones e energia elétrica foram a causa de mais da metade do aumento do índice de julho, mas o preço da comida foi o que apresentou a maior alta. A seca prejudicou a produção de alimentos; a geada, em seguida, acabou por abater o nível da safra. Com a oferta menor de produtos, os preços subiram.
Segundo a Fipe, da USP, os efeitos da safra menor e das tarifas públicas devem diminuir neste mês e em setembro, derrubando rapidamente os índices de inflação. A preocupação restante deve ficar restrita às tarifas públicas. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é a principal medida da inflação no Brasil, registrada pelo IBGE. Reflete a variação dos preços em 11 regiões metropolitanas.
Entre os derivados de petróleo, a gasolina apresentou aumento de 10,27%; o álcool, 13,44%; e o gás de botijão, 5,53%. ‘‘A gasolina passou por três grandes impasses em julho: a alteração na cobrança do PIS e da Cofins, a mudança no preço do petróleo no último dia 15 e o reajuste nos postos 15 dias depois’’, comentou a gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.
A alta das tarifas telefônicas, em torno de 8,61%, foi a segunda maior contribuição individual para o aumento do índice. A alta da energia elétrica foi de 4,85% e os maiores reajustes de preços foram identificados em São Paulo (13,34%) e Curitiba (14,86%). Segundo Eulina dos Santos, os produtos alimentícios vinham apresentando comportamento parecido com o do ano passado, mas passaram a se diferenciar em função das condições climáticas registradas neste ano. O grupo de alimentação e bebidas, com variação de 1,78 ponto percentual sobre junho, não apresentava alta desde fevereiro e só saiu da variação negativa a partir de junho.
‘‘A estiagem e as geadas prejudicam plantações e inibem a oferta de produtos. A entressafra do gado, com as más condições do pasto, também contribuem para o aumento de preço tanto da carne como do leite’’, explica Eulina dos Santos.
Ainda entre os gêneros não-alimentícios, apresentaram variações significativas o pedágio (13,90%), passagens aéreas (10,39%), gás encanado (7,29%) e óleo diesel (7,19%).
O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, disse ontem em Nova York que o IPCA apurado no mês de julho ‘‘não é incompatível com o cumprimento das metas de inflação deste ano e do ano que vem’’.
‘‘Esses soluços acontecem’’, afirmou o diretor do BC durante uma teleconferência em que explicou a investidores e jornalistas a troca de títulos da dívida externa brasileira. Segundo Gleizer, todos já esperavam um índice de inflação mais alto em virtude das geadas e do aumento dos combustíveis e das tarifas.

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