São Paulo - A piora das expectativas de inflação para 2011, medidas pela pesquisa Focus realizada pelo BC, deverá continuar pelo menos até março, ponderam economistas ouvidos pela Agência Estado. Para eles, a volta do IPCA para níveis inferiores a 0,50% ao mês, com acomodação dos seus núcleos, o avanço do aperto monetário pelo Banco Central e alguns sinais de corte de despesas pelo governo são os principais fatores que devem conter a alta das projeções para o índice medido pelo IBGE. A mediana das previsões para o IPCA neste ano estão em 5,79%, bem acima dos 5,20% registrados no início de dezembro.
Para o economista Thiago Curado, da Tendências, como o IPCA deve desacelerar de 0,9% em fevereiro para 0,4% em março tal fator ajudará a diminuir o movimento de alta das expectativas para o indicador medidas pela Focus. Na avaliação de Fábio Romão, economista da LCA, a reversão só deverá a ocorrer a partir do segundo trimestre, quando deve ficar mais claro que o nível de atividade do Brasil está em plena queda de velocidade. ''Prevíamos que o PIB neste ano deveria subir 4,3%, mas agora a nossa estimativa deve ir para uma marca próxima a 3,5%'', comentou Romão.
Segundo a analista de inflação do Itaú Unibanco, Laura Haralyi, a perspectiva para a reversão das expectativas do IPCA para este ano não é muito favorável nos próximos meses. Um dos principais elementos que colabora para que tais projeções não parem de subir até o final deste semestre é a continua alta da inflação no acumulado em 12 meses.
Laura projeta que o IPCA deve fechar este ano com alta de 5,80% e deve atingir 4,70% em 2012. Mas estas estimativas estão relacionadas com a evolução do ritmo do nível de atividade, o que está vinculado com outras variáveis, como o aumento total de juros de 1,75 ponto porcentual neste ano, a adoção de medidas macroprudenciais pelo BC, o corte de R$ 50 bilhões de despesas do Orçamento e relativa estabilidade de commodities alimentares.

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