Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para as metas do governo, despencou para 0,49% em maio, ante 0,87% em abril. A redução do ritmo de reajuste dos preços administrados domou a taxa, a menor desde outubro do ano passado. O índice veio abaixo da média das estimativas do mercado financeiro (0,54%) e reacendeu esperanças de interrupção da atual trajetória de elevação dos juros básicos.
De janeiro a maio, o IPCA acumula alta de 3,18%, mais da metade da meta estipulada pelo Banco Central para este ano, de 5,5%. Em maio, apesar da boa notícia da desaceleração de reajustes de itens importantes para a despesa das famílias, como alimentos e energia elétrica, a gerente do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Ribeiro, observou que não houve uma queda generalizada de preços e que os chamados preços livres (não monitorados pelo governo) ainda seguem com altas generalizadas.
Por outro lado, os combustíveis registraram deflação no mês: álcool (-5,42%), gasolina (-0,64%) e gás de cozinha (-0,46%). Produtos alimentícios como carnes (-1,08%), arroz (-2,35%) e açúcar cristal (-1,90%) também mostraram quedas de preços. Mas Eulina chama atenção para a inflação persistente no próprio grupo de alimentos (0,65% em maio, ainda que menor do que os 0,81% de abril), por causa de pressões de custos em matérias-primas como o trigo ou problemas na safra de produtos como milho.
Para junho, segundo ela, a única pressão conhecida para a inflação será dada pelo reajuste de 7,99% nas ligações de telefones fixos para celulares, a vigorar a partir de amanhã.
Curitiba - A inflação para a classe média de Curitiba apresentou alta de 0,21% em maio. Foi o segundo menor valor registrado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre as 11 capitais pesquisadas pelo IBGE. Já o Índice Nacional de Preços ao Cosumidor (INPC) de Curitiba, que se refere apenas às famílias com rendimento mensal de um a oito salários mínimos, sendo o chefe assalariado, apresentou alta de 0,27%, o terceiro menor índice entre as 11 capitais pesquisadas. O INPC nacional teve aumento de 0,70%.
No IPCA, entre os itens que apresentaram alta estão vestuário (1,17%), despesas pessoais (0,56%), alimentos e bebidas (0,50%), saúde e cuidados pessoais (0,45%), habitação (0,25%) e educação (0,02%). Já outros três grupos apresentaram queda - transportes (-0,37%), artigos de residência (-0,05%) e comunicação (-0,03%). A variação dos nove itens no INPC foi parecida com o IPCA, registrando seis altas e três quedas. A maior alta do INPC também foi no segmento de vestuário (1,17%) seguido pelo setor de despesas pessoais (0,71%), saúde e cuidados pessoais (0,41%), alimentação e bebidas (0,37%) e habitação (0,10%). Já as quedas ficaram por conta da educação (-0,15%), transportes e comunicação (ambos -0,05%). (Com Andrea Bordinhão/Equipe da Folha)

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