IPCA de setembro coloca economia em alerta
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sexta-feira, 05 de outubro de 2012
Andréa Bertoldi <br>Reportagem Local 
Curitiba - A inflação de 0,57% foi a maior registrada para um mês de setembro desde 2003, quando a elevação foi de 0,73%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu puxado principalmente pelos alimentos. Em agosto, o índice inflacionário tinha sido de 0,41%. No ano, o IPCA acumula alta de 3,77% e nos últimos 12 meses terminados em setembro de 5,28%. Curitiba teve a menor inflação entre as 11 capitais pesquisadas.
A alta dos alimentos foi influenciada pela quebra da safra de milho e soja nos Estados Unidos provocada pela estiagem e do trigo na Rússia. ''A quebra do milho nos EUA na safra 2012/13 foi equivalente a toda a produção deste cereal somada no Brasil, México e Argentina'', disse o economista chefe da Inva Capital e coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Desordi.
Segundo ele, a inflação nos alimentos foi provocada pela escassez de oferta destes produtos no mercado internacional. O economista prevê ainda que o preço dos alimentos subirá no Brasil nos próximos meses. ''A inflação de setembro de 0,57% é muito alta. Caso ficasse neste patamar mensal, estouraria em 7% ao ano. A taxa de setembro é muito preocupante'', disse. Ele acredita que entre outubro e dezembro, a inflação deva subir mais um pouco na casa de 0,40% ao mês. A grande dúvida ainda é saber se a crise de oferta de alimentos no mercado internacional é temporária ou permanente.
O economista do Dieese, Sandro Silva, destacou que a inflação ficou inclusive acima do previsto pelo mercado que estimava 0,56%. O levantamento do IPCA do IBGE mostrou ainda que além do tomate, que teve aumento de 53,73% em 2012, outros alimentos têm tido fortes altas no acumulado do ano, entre eles, cenoura (54,62%), batata inglesa (49,25%), cebola (49,15%), alho (45,27%) e feijão preto (41,02%). Em setembro ocorreram altas ainda de habitação (0,71%), despesas pessoais (0,73%) e vestuário (0,89%).
Lucas Desordi prevê que o ano feche com uma inflação de 5,5%, ainda abaixo do teto da meta para este ano que é de 6,5%. O centro da meta fixado pelo Banco Central para 2012 foi de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No ano passado, o IPCA encerrou em 6,5%.
O economista da Inva Capital avalia que se a inflação ficar em 5,5% neste ano já pode ''contaminar'', de certa forma, o índice para 2013. Ele acredita que o Banco Central não vai mais ter espaço para reduzir a taxa de juros e a opção seria permitir a valorização do real. Sandro Silva concorda que aumentar os juros não será a saída. ''É mais importante o crescimento da economia do que atingir a meta de inflação'', disse. O diretor do Centro Estadual de Estatística do Ipardes, Daniel Nojima, também acredita em uma inflação de 5,5% para o fechamento do ano. Para Curitiba, a previsão dele é que a inflação feche um pouco abaixo disso.
Curitiba
Na capital paranaense a inflação foi de 0,29% em setembro contra 0,58% em agosto. O economista Lucas Desordi explica que Curitiba teve o repasse dos aumentos para o preço dos alimentos mais rápido que na média do País. No ano, a Capital acumula alta de 3,31% e nos 12 meses de 4,62%. Em Curitiba, os itens que mais subiram foram alimentação (0,90%) e vestuário (1,44%). Transportes foi o único grupo com queda (-0,72%).
O que influenciou a redução da inflação de Curitiba entre agosto e setembro foi a diminuição nos preços dos automóveis novos (-0,77%) e usados (-1,73%), aliada à queda nos preços da gasolina (-0,67%) e do etanol (-0,61%). (Com Agências)



