O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação de 0,74% em maio depois de subir 0,71% em abril e acumulou em 12 meses alta de 8,47%, a maior taxa desde dezembro de 2003 (9,3%). Naquele período, a economia brasileira sofria os efeitos da crise decorrente das incertezas de um primeiro governo Lula. No acumulado do ano, a inflação registra alta de 5,34%, o maior resultado para o período de janeiro a maio também desde 2003 (6,80%).
Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O coordenador do curso de Ciências Econômicas da PUC-PR, Carlos Magno Bittencourt, alertou que, nos seis primeiros meses do ano, a inflação já ultrapassa o centro da meta para este ano estabelecido em 4,5%. Para ele, isso mostra que as medidas que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) vêm tomando, de aumentar os juros, não estão sendo suficientes.
Bittencourt reforça que o País está vivendo uma inflação inercial, ou seja, a cada aumento de custos, tudo é repassado para o consumidor final. É uma espécie de "inflação de contágio", segundo ele. "A inflação está mais persistente do que a gente imagina, mesmo com a economia entrando em recessão", disse o coordenador do curso de Ciências Econômicas da Universidade Positivo, Lucas Dezordi.
Os principais aumentos do IPCA na passagem de abril para maio ocorreram nos grupos de Alimentação e Bebidas, Habitação e Despesas Pessoais (em função das apostas em loteria). Em Despesas Pessoais, o índice passou de alta de 0,51% em abril para elevação de 0,74% em maio. A principal pressão veio dos reajustes ocorridos, a partir de 18 de maio, nos valores das apostas nos jogos. A alta média foi de 12,76%, segundo o IBGE.
Com a pressão de alimentos como tomate, cebola e cenoura, o grupo Alimentação e Bebidas acelerou de 0,97% em abril para 1,37% em maio. Para Dezordi, o aumento dos alimentos ainda reflete a alta do dólar. Já o grupo Habitação (0,93% para 1,22%) ganhou força devido principalmente à energia elétrica. O grupo Saúde e Cuidados Pessoais desacelerou de 1,32% para 1,10% na virada do mês. Também perderam força os Artigos de Residência (0,66% para 0,36%), já que os eletrodomésticos (-0,17%) ficaram mais baratos no mês.
Outros grupos que desaceleraram foram Vestuário (0,91% para 0,61%), apesar das roupas infantis estarem 0,97% mais caras; Transportes (0,11% para -0,29%); Educação (0,21% para 0,06%) e Comunicação (0,31% para 0,17%).

Energia

Em maio, as tarifas de energia ficaram 2,77% mais caras, adicionando sozinhas 0,11 ponto porcentual à alta de 0,74% no índice de inflação oficial do País. Com a alta de maio, a energia elétrica já subiu 41,94% no ano. Nos últimos 12 meses, as contas já estão 58,47% mais caras.
O item energia elétrica ainda ajudou a impulsionar o grupo Habitação, segundo principal impacto no IPCA do mês (0,19 ponto porcentual). Dezordi prevê novo aumento da energia no Paraná neste mês, entre 10% e 15%. Ainda ficaram mais caros gás de botijão (1,31%), taxa de água e esgoto (1,23%), condomínio (0,89%), aluguel residencial (0,66%) e artigos de limpeza (0,65%).
Bittencourt acredita que o BC terá que aumentar ainda mais os juros. Ele prevê que, talvez, o Programa de Investimento em Logística anunciado pelo governo federal na terça-feira pode trazer um certo otimismo ao mercado. Dezordi disse que outra forma de combater a inflação é um modelo de crescimento mais baseado em infraestrutura, produtividade e eficiência. Os dois economistas preveem inflação na casa de 8% para o fechamento deste ano.

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