IPCA de janeiro a maio fecha em 1,41%, a menor taxa em 20 anos
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sexta-feira, 09 de junho de 2000
Das Agências Do Rio 
A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) em maio estabilizou-se (0,01%), fazendo com que a taxa acumulada no ano fosse de 1,41%: a menor dos últimos 20 anos. O principal responsável pela desaceleração da inflação no período foi o grupo alimentos e bebidas.
Desde que iniciou, em 1980, a pesquisa do IPCA, índice usado pelo governo no sistema de metas de inflação, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não detectava custo de vida tão baixo nos primeiros cinco meses de um ano. A segunda menor taxa foi a registrada em 98 (2,27%), ano que terminou com a menor inflação da história do IPCA (1,65%). Depois disso, a queda não mais se repetiu.
Não há sinais, no entanto, de que a inflação este ano vá repetir o padrão de 98. O economista Paulo Levy, do Grupo de Conjuntura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), lembra que a economia brasileira estava então sob os efeitos recessivos das crises russa, no segundo semestre, e da asiática, que eclodira no ano anterior. Por isso, não havia condições propícias para quedas de inflação.
O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro praticamente zerou naquela época, o que ninguém preconiza para este ano, uma vez que a indústria vem dando provas concretas, mês a mês, de recuperação.
Além do mais, completa o economista, o câmbio controlado em 98 também ajudava a segurar o custo de vida o que seria comprovado em janeiro do ano passado, quando o BC deixou de intervir na cotação do real, o dólar subiu e levou junto a inflação.
Para Levy, o IPCA de maio divulgado ontem pelo IBGE ficou abaixo das expectativas, que apontavam algo em torno de 0,1% e 0,2%. Analistas e os próprios técnicos do IBGE são unânimes em acreditar que, salvo acontecimentos inesperados, a inflação este ano ficará ligeiramente abaixo dos 6% fixados como meta pelo governo em acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), ainda que aconteça da entressafra voltar a pressionar o preço dos alimentos que caiu 0,67% em maio para cima.


