A inflação de fevereiro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 0,46%, surpreendendo o mercado. Houve queda em relação a janeiro (0,57%), mas o índice divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou acima da taxa máxima de 0,35% esperada pelos analistas. Apesar da surpresa e de uma inflação acumulada de 1,03% nos dois primeiros meses do ano, ante 0,75% no mesmo período do ano passado, está mantida a aposta de que a meta estipulada para 2001 pelo governo (IPCA de 4%, com variação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo) será alcançada.
‘‘Ainda é muito cedo para avaliar o cumprimento da meta’’, afirmou a gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Ela alertou que é preciso também prestar atenção ao resultado acumulado dos últimos 12 meses até fevereiro, que atingiu 6,27%, variação menor que os 7,86% acumulados em 12 meses até o mesmo mês do ano passado.
Eulina explicou que a principal contribuição individual para a inflação de fevereiro foi dada pelo transporte urbano (2,23%). O aumento nas passagens de ônibus em seis capitais (Porto Alegre, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Goiânia) foi responsável, isoladamente, por uma contribuição de 0,10 ponto porcentual do IPCA. Isso significa que, se os reajustes não tivessem ocorrido, a inflação seria bem menor, de 0,36%.
Em termos de impacto por grupos de produtos, o maior aumento ocorreu em Educação (2,28%), com contribuição de 0,14 ponto porcentual na inflação. Outro peso importante foi dado pelos produtos farmacêuticos, que, com aumento 1,81% nos preços, contribuíram com 0,08 ponto porcentual para a inflação de fevereiro.
O economista sênior do Citibank, Robério Costa, foi surpreendido pelo aumento dos medicamentos. Segundo ele, o banco estimava uma inflação de 0,35% para fevereiro, mesmo prevendo os reajustes nos preços de ônibus urbanos e no grupo Educação, mas o aumento no preço dos produtos farmacêuticos não havia sido computado. Mas para ele, ainda assim ‘‘a meta do governo deverá ser cumprida, mas não com a tranquilidade esperada anteriormente’’.
Concorda com ele o economista Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, que elevou a sua estimativa de inflação em 2001 de 4% para 4,5%, após a divulgação do IPCA de fevereiro. Ele considerou o índice surpreendente, já que sua previsão anterior apontava uma inflação de 0,35% no mês.
A inflação de fevereiro trouxe como boa notícia a queda no ritmo de reajuste no preço dos alimentos e deflação na cotação dos combustíveis. Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas passou de uma variação de 0,63% em janeiro para 0,05% em fevereiro. A maior queda neste grupo ocorreu no preço do frango (-6,95%). No caso dos combustíveis, houve queda nos preços do álcool (-0,56%) e da gasolina (-0,07%).
A maior inflação entre as nove regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia e de Brasília, foi registrada em Belém (1,54%). O menor índice foi apurado em Brasília (0,19%). Na Região Metropolitana de Curitiba, o índice foi de 0,87%.

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