Curitiba A inflação em novembro em Curitiba atingiu 3,20%, a mais alta registrada na capital paranaense durante o Plano Real (implantado em julho de 1994) pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo IBGE.
A alta dos preços em Curitiba foi generalizada. Dos 52 subgrupos pesquisados pelo IBGE, 49 tiveram aumento de preço em novembro. No acumulado do ano, o IPCA está em 10,57% em Curitiba e 10,22% no Brasil. Até então, o IPCA mais alto em Curitiba tinha sido o de novembro de 1994 (2,81%). Esse índice mede o custo de vida para famílias com renda entre um a 40 salários mínimos.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, o custo de vida de novembro é preocupante. ''Essa inflação não é só efeito da bolha cambial. É preocupante porque atinge preços de áreas que não têm relação com o câmbio, como o de serviços'', por exemplo. Ele disse que alguns setores estão se aproveitando do momento para aumentar o valor de produtos.
Mais uma vez, os alimentos puxaram a inflação. Esse grupo subiu 6,47% no mês na capital paranaense, impulsionado pelos aumentos de açúcares e derivados (19,34%); aves e ovos (18,10%); hortaliças e verduras (14,71%); e farinhas e féculas (14,67%). No ano, alimentação já subiu 15,28%.
Outros oito grupos pesquisados, a habitação registrou alta de 2,46%; artigos residenciais (2,60%); vestuário (0,97%); transportes (4,72%); saúde e cuidados pessoais (0,91%); despesas pessoais (0,57%); educação (0,57). Apenas comunicação teve leve baixa, de 0,02%. Entre os itens que mais influenciaram o IPCA estão combustíveis (10,92%); gás de cozinha (19,44%), e transporte público (4,89%), além dos alimentos.
A população mais pobre de Curitiba está sofrendo mais com a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também divulgado ontem pelo IBGE e que mede o custo de vida para famílias com renda de um a 20 salários mínimos, foi de 3,78%, também acima da média nacional (3,39%) e o mais alto do Plano Real. Esse é o segundo ano em que o custo de vida dos mais pobres é mais alto. ''Os alimentos e tarifas públicas, que subiram bastante, têm grande peso para esse grupo'', avaliou Cordeiro. No acumulado do ano, o INPC está em 12,15%.

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