IPCA de 0,91% é o maior desde abril de 2003
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho fechou em 0,91%, maior taxa desde abril do ano passado (0,97%). Os aumentos de energia elétrica e de telefonia fixa foram os principais responsáveis pelo avanço do índice, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que serve de base para as metas de inflação do governo. Analistas destacaram que o núcleo da inflação continua elevado, mas recuou de junho para julho.
''Foi um bom resultado e ficou dentro das expectativas'', disse o especialista em inflação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Eduardo Velho. O resultado de julho ficou no piso das projeções do mercado, de 0,87% a 1,07%, conforme pesquisa da Agência Estado com 21 consultorias e instituições financeiras. Em junho, o índice havia sido de 0,71%. No ano, o IPCA acumula alta de 4,42% e, nos últimos 12 meses, de 6,81%.
Em Curitiba e Região Metropolitana, a inflação medida pelo IBGE no mês de julho, foi considerada a segunda maior do País, perdendo somente para a cidade de São Paulo. O índice apurado foi de 1,03%. A mesma pesquisa feita com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em julho foi de 0,73%. Em Curitiba, o índice apurado pelo IBGE foi de 1,17%. O IPCA mede a inflação para as famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e o INPC mede a inflação para as famílias com rendimento de um a oito salários mínimos.
Além da energia elétrica, o reajuste do telefone fixo, com aumento médio de 4,88% nas contas de julho, em todas as regiões, está pressionando a inflação. O índice está refletindo também o reajuste dos preços da gasolina em julho, que correspondeu ao repasse de 10,8% de aumento nas distribuidoras ocorrido no mês de junho. No álcool combustível, como consequência da valorização da cana-de-açúcar, a alta foi de 2,61%.
Para agosto, são esperados novos aumentos para a gasolina. A expectativa é de que a Petrobras venha a aumentar o preço do combustível em torno de 10%. Analistas estimam que o impacto na inflação pode ser de 0,25 a 0,40 ponto porcentual, conforme o nível do repasse ao consumidor. A Global Invest ainda não aposta em alta da Selic este mês, mas considera que o avanço da cotação do petróleo e o provável aumento dos combustíveis são fatores de risco e a taxa pode subir em agosto ou setembro.
O economista e membro do conselho consultivo do Índice de Preços do IBGE Ricardo Braule também não descarta a possibilidade de aumento da Selic nos próximos meses, já que o núcleo de inflação anualizado (acima de 6%) está elevado, comparado ao centro da meta da inflação (5,5%) para o ano.
Os gastos com alimentos subiram 0,67%. Conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em Curitiba e Região Metropolitana, os produtos que mais subiram foram cebola, repolho, batata inglesa, pera, azeitona, açúcar refinado, pepino e feijão preto. No Brasil as maiores altas de preços foram puxadas por produtos como acerola, caqui, caranguejo, pimentão, peru, carne de porco, peixe, repolho, batata inglesa e cebola. (Com AE)


