A inflação de agosto medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – o índice do IBGE que é adotado pelo governo como a inflação oficial do País – foi de 1,31%, a mais alta no mês de agosto desde 1994, ano de lançamento do Plano Real. Em agosto de 94, o IPCA foi de 1,86%.
Embora alto em relação a outros agostos (em agosto de 99 foi de 0,56%), o IPCA do mês passado revelou uma tendência de baixa, ficando 0,30 ponto percentual abaixo do índice de 1,61% apurado em julho. O IPCA acumula no ano uma alta de 4,63%.
A meta do governo é de um IPCA de 6% no período de janeiro a dezembro, sendo admitida uma margem de variação de dois pontos percentuais para baixo ou para cima. Isso quer dizer que qualquer número entre 4% e 8% estará dentro da meta do governo.
Para o economista Paulo Sidney Cota, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o IPCA e os demais índices de preços ao consumidor apurados no País, inclusive o da própria FGV, deverão ficar entre 6% e 7% este ano. Ele disse que em setembro deverão ficar negativos, graças ao fim das pressões de alta exercidas pelas tarifas públicas, combustíveis e alimentos.
De acordo com a equipe técnica do órgão estatístico do governo, a inflação oficial de agosto foi menor que a de julho porque preços públicos como os da gasolina, da energia elétrica e da telefonia fixa exerceram pressões menores ou nenhuma pressão sobre o índice.
O aumento da gasolina de julho ainda fez uma pressão de 7,54% em agosto (em julho a pressão foi de 10,27%). As tarifas de energia elétrica pressionaram 0,10%, enquanto a telefonia fixa, que exerceu uma pressão de 8,61% em julho, não teve variação em agosto.
O IPCA mede a inflação com base na cesta de consumo de famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o outro índice do IBGE, tem por base o consumo de famílias que ganham até oito mínimos. O INPC de agosto foi de 1,21%, contra 1,39% em julho. Também foi divulgado ontem o IGP-DI (Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna) da FGV, que subiu 1,82% em agosto, contra 2,26% em julho.

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