IPCA cai e deve acelerar redução dos juros
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Das agências 
Rio de Janeiro - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para a política de metas de inflação do governo, registrou deflação em junho, após dois anos de variações positivas. A variação de -0,02% ficou abaixo até das projeções mais otimistas do mercado financeiro e foi a menor desde junho de 2003 (-0,15%). A gerente do Sistema de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, avalia que uma ''conjunção de fatores'' derrubou os preços de produtos importantes para a despesa das famílias.
Em maio, o IPCA havia sido de 0,49%. No primeiro semestre, a taxa acumulou alta de 3,16%, mais da metade da meta de 5,1% estabelecida pelo Banco Central para 2005. Eulina citou como motivos para o recuo da inflação em junho a queda do dólar, a comercialização da safra agrícola, promoções em supermercados, postos de gasolina e lojas de roupas e ausência de fortes reajustes dos preços administrados pelo governo. Alimentos e combustíveis registraram deflações significativas. O grupo dos produtos alimentícios teve queda de 0,67%, com uma longa lista de produtos com recuos nos preços.
Eulina disse que a deflação desse grupo foi resultado especialmente da queda na cotação do dólar e da comercialização da safra agrícola. A moeda americana tem forte influência sobre os insumos agrícolas (60% são importados) e é base dos preços de produtos como soja e trigo. O dólar teve efeito, ainda, na queda dos preços dos artigos de higiene pessoal (-0,63%).
No caso dos combustíveis, a boa safra da cana-de-açúcar e as promoções nas revendas levaram o álcool a uma queda de 8,79% e a gasolina, a uma redução de 1,51%. Para julho, Eulina disse que é impossível antever se a deflação de junho, que ela considera ''tecnicamente uma estabilidade'', configura uma tendência de queda nos preços. ''Não há uma indicação de tendência (de queda para o IPCA), houve uma forte e generalizada queda e desaceleração de preços, mas indicações de tendência não são evidentes'', disse Eulina.
Em junho, a queda de preços foi maior nos produtos com maior peso na compra das famílias com menor renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve queda de 0,11% no mês passado. O índice mede a inflação que atinge famílias que ganham de R$ 300 a R$ 2.400. A deflação foi menor no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede gastos das famílias que ganham de R$ 300 a R$ 12.000 por mês. A queda maior do INPC é resultado da redução dos preços de alimentos. O valor também é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em Curitiba - O IPCA na capital paranaense diminuiu 0,52%, e o INPC, 0,46%, na comparação com maio. O recuo foi puxado pelos grupos alimentação e bebidas (redução nos preços de 0,65% no IPCA e de 0,81% no INPC), transportes (diminuição de 2,11% no IPCA e de 1,58% no INPC) e saúde e cuidados pessoais (redução de 0,64% no IPCA e de 0,90% no INPC).
''A diminuição nos preços dos combustíveis puxou a queda no item transportes. Quanto à alimentação, no começo do ano foi registrado em Curitiba um aumento significativo nos preços de alguns produtos, como a batata, e a partir de maio teve início uma redução. Já no item saúde a diminuição foi provocada pela concorrência entre as farmácias, que fizeram várias promoções'', comentou Sandro Silva, técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). (Colaborou Fábio Galão)


