IPCA baixa pouco e atinge 1,23% em março
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quinta-feira, 10 de abril de 2003
Jacqueline Farid 
Rio de Janeiro A inflação de março medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) surpreendeu o mercado, com índice de 1,23%. A taxa foi bem superior às estimativas, que variavam entre 0,8% e 1,06%, e refletiu ainda os aumentos de custos provocados pela alta do dólar no ano passado. Mesmo tendo sido inferior ao IPCA de fevereiro, de 1,57%, o resultado foi interpretado como uma prova de resistência da queda dos preços.
Puxada por aumentos de preços em itens tão diversos como remédios, tomate e ônibus urbanos, a inflação de março foi a maior para esse mês desde o início do Plano Real. O IPCA é utilizado pelo Banco Central para acompanhamento do sistema de metas de inflação. A meta estabelecida para este ano é de 8,5%, mas o índice já acumulou no primeiro trimestre variação de 5,13%. Nos últimos 12 meses, o acumulado é de 15,85%.
A divulgação da taxa acendeu o sinal de alerta entre os economistas sobre o poder de fogo da inércia inflacionária, que é a recomposição de margens mesmo que pressões anteriores tenham sido deixadas para trás ou reajustes por expectativa de novas pressões. A avaliação geral é de que a manutenção do IPCA em nível elevado vai impedir uma queda na taxa básica de juros neste mês, como era esperado.
Mas, para a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, a inflação medida pelo IPCA permanece elevada porque os aumentos de custos provocados pela alta do dólar no ano passado continuam sendo repassados pelas empresas para os consumidores. ''Não acredito em inércia inflacionária porque as características da inflação no ano passado e neste ano têm um motivo muito claro: o aumento de custos via dólar'', disse.
Eulina argumentou que, historicamente, desvalorizações da moeda local frente ao dólar têm impacto inicial sobre os alimentos, ocorrendo de forma mais gradual sobre os demais produtos. Segundo ela, os efeitos do dólar sobre os alimentos ''estão ficando para trás'', mas não é possível saber até quando ainda ocorrerão repasses em outros produtos.
A inflação em março sofreu especialmente pressão, por ordem de contribuição para a taxa, dos reajustes dos remédios (4,58%), tomate (57,35%), ônibus urbanos (1,75%), água e esgoto (4,12%), telefone fixo (1,78%), higiene pessoal (2,20%) e artigos de limpeza (3,80%).
O tomate, a maior alta do mês, vem sofrendo os efeitos de uma praga nas lavouras provocada pela chuva e já subiu 89,89% neste ano. Os produtos alimentícios interromperam a desaceleração de reajustes de preços iniciada em dezembro e voltaram a subir em março (1,66%), ante 1,22% em fevereiro, com contribuição de 0,39 ponto porcentual no IPCA de 1,23%. O aumento ocorreu apesar da entrada da safra, que reduziu preços de produtos importantes como arroz (-1,25%) e feijão preto (-1,91%), porque pesou mais o impacto dos hortigranjeiros, sensíveis aos problemas climáticos.


