IPCA atinge 88,34% durante o Plano Real
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quarta-feira, 12 de julho de 2000
Agência Folha Do Rio 
A inflação nos seis anos de vigência do plano real (de 1º de julho de 1994 a 30 de junho de 2000) medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 88,34% e os maiores vilões da alta de preços foram o aluguel residencial, com 382,54%, e o telefone fixo, com alta de 308,17%.
Ontem, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA de junho deste ano foi de 0,23% (contra 0,01% em maio) e que no primeiro semestre deste ano o índice acumulado foi de apenas 1,64%, contra 3,96% no mesmo período do ano passado. A taxa acumulada nos 12 meses que foram de julho de 99 a junho de 2000 foi de 6,51%, contra 6,47% nos 12 meses imediatamente anteriores.
O IPCA é a inflação adotada oficialmente pelo governo como indicador para suas metas inflacionárias, o sistema foi adotado em junho do ano passado para medir o desempenho macroeconômico do País. A meta para este ano é de 6%, mas o governo admite uma margem de erro de dois pontos percentuais.
Além do aluguel residencial e da e da tarifa de telefonia fixa, outros preços importantes no cotidiano da população tiveram altas superiores à do indicador oficial. O gás de botijão subiu 217,03% no período do real; a gasolina aumentou 132,88%; e a energia elétrica teve alta de 127,5%.
O aluguel residencial, maior de todos os vilões, deve esse seu recorde ao comportamento apresentado nos primeiros anos do plano. Nos seis últimos meses de 94 ele subiu 76,27%, contra 18,57% do IPCA. Em 95 o aluguel aumentou 94,73%, contra 22,41% do índice do IBGE.
Já em 98 a situação se inverteu, com o IPCA apresentando alta de 1,65% e o aluguel, queda de 1,02%. No ano passado, a alta do IPCA foi de 8,94%, contra queda de 2,41% do aluguel residencial.
Já as maiores altas das tarifas de telefonia fixa foram nos anos que antecederam a privatização do setor, ocorrida em 1998. Em 96 e 97 os telefones subiram, respectivamente, 69,19% e 89,64%. Em 98, a alta foi de 2% e em 99, de 8,86%.
A maior pressão sobre a inflação dos seis anos de real foi o das comunicações, com 274,52%, exatamente graças à alta da telefonia fixa. O grupo habitação, onde está o aluguel residencial, ficou em segundo, com 220,07%.
Segundo a equipe técnica do IBGE, a variação do grupo do aluguel foi menor porque a alta do item foi diluída no conjunto do grupo, enquanto no das comunicações a telefonia fixa tem maior predomínio. Na ponta das menores altas por grupos, aparecem o vestuário, com 28,34%, e os alimentos, com 51,08%.
O telefone fixo também está entre os itens responsáveis pelo ligeiro salto dado pela inflação no mês passado em relação a maio. Com 3,08% de variação em junho ele liderou alta dos produtos não alimentícios.
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) teve alta de 0,30% em junho, contra uma queda de 0,05% em maio. A diferença do INPC para o IPCA é que, enquanto este apura a variação dos preços com base na cesta de consumo de famílias que ganham até 40 salários mínimos, o primeiro toma como base o consumo de famílias que ganham até oito mínimos.


