IPCA acumula alta e deve fechar o ano próximo do teto da meta
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terça-feira, 06 de setembro de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou inflação de 0,37% em agosto, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é superior à verificada em julho (0,16%). Em agosto de 2010, o índice havia ficado em 0,04%. No acumulado em 12 meses, a taxa é de 7,23%, a mais alta desde junho de 2005 (7,27%). De janeiro a agosto, o índice soma uma inflação de 4,42%.
O pico de inflação nos últimos 12 meses já era esperado. O índice vinha desacelerando entre maio e julho. No entanto, a expectativa é que ocorra uma queda no acumulado dos 12 meses daqui para frente. Mas, o índice deve fechar o ano próximo do teto da meta estabelecida pelo Banco Central em 6,5% ou até superior a isso.
Em agosto, os alimentos foram os produtos que mais pressionaram o índice e subiram 0,72% ante uma queda de 0,34% em julho. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, destacou que a alimentação foi responsável por 45% do índice de inflação. Se não ocorresse a alta dos alimentos, o IPCA teria ficado em 0,20%.
Os produtos que tiveram aumentos significativos foram carnes (17,10%) e açúcares e derivados (17,31%), aves e ovos (12,38%), leite e derivados (9,89%), óleos e gorduras (15,24%), bebidas e infusões (10,37%) e vestuário (9,37%). Ele acredita que os alimentos ainda devem continuar pressionando os preços em função da entressafra. Isso pode ser compensado pela redução dos preços internacionais.
Silva destacou que não adianta cumprir a meta de inflação e comprometer o crescimento da economia para os próximos anos. Ele lembrou que, no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,5% e, no primeiro semestre deste ano, o crescimento foi de apenas 3,6%. ''É melhor garantir que a economia cresça do que atingir a meta de inflação'', disse.
O economista disse que nos últimos 12 meses, a alimentação em geral subiu 10,41%. A refeição fora do domicílio ficou mais cara ainda e aumentou 11,48%. No domicílio, a alimentação teve alta de 9,82%. Segundo ele, hoje a alimentação representa 23% do orçamento familiar e é seguida de transportes (18,81%) e habitação (13,21%).
A recomendação de Silva para tentar driblar a inflação é pesquisar preços, comprar o que realmente a pessoa precisa e controlar o orçamento na ponta do lápis. Há também como adiar a aquisição de alguns produtos como um sapato ou itens de lazer. Além disso, gastar só o essencial nas ligações de celular, não deixar a luz da casa acesa sem necessidade, entre outras coisas.
Ele também afirmou que é importante não cair no rotativo do cartão de crédito nem no cheque especial que cobram juros muito altos. Outra sugestão é aproveitar as ofertas. Na alimentação ainda é possível substituir produtos para reduzir o impacto da inflação no orçamento.
O economista e presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, disse que a alta dos alimentos foi influenciada pela alta dos preços internacionais no primeiro semestre e agora pela influência do inverno em hortifrutigranjeiros, carnes e leite. Além disso, houve quebra na produção de cana-de-açúcar e o aumento pela demanda de álcool.
''Era esperado que superasse o teto da meta de inflação até agosto'', afirmou. Segundo ele, a tendência é que a pressão no mercado interno e externo diminua até setembro. A inflação também deve diminuir com a redução e a estabilização dos alimentos.
Ele lembrou que a meta de inflação foi estabelecida em 1999 e vem sacrificando o crescimento da economia brasileira. Lourenço defende a economia de escala na qual quanto maior o volume de produção, menor o custo unitário, maiores as chances de fabricar produtos mais baratos com menos impacto na inflação.
Lourenço acredita que a inflação de 2012 tende a ser menor porque os fatores internacionais atuais não estarão mais presentes no aumento dos alimentos. Para ele, a forma de compensar a crise americana é fortalecer o mercado interno, aumentar investimentos e reduzir juros.


