IPCA acumula alta de 6,7% e estoura teto da meta
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sexta-feira, 05 de julho de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - Apesar da desaceleração em junho, a alta acumulada da inflação no País nos últimos 12 meses ficou em 6,7%, acima do teto da meta do governo que é de 6,5% para este ano. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,26%, percentual menor que os 0,37% de maio. Em junho de 2012, o índice havia ficado em 0,08%. O IPCA é o índice oficial da inflação, usado pelo governo como meta para controlar a alta de preços. O centro da meta é de 4,5% ao ano, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Para o professor do curso de Economia da UFPR, Marcelo Curado, o mais preocupante é a inflação ter ultrapassado o teto da meta. Para ele, isso é fruto da política do Banco Central que ''esqueceu'' o centro da meta de 4,5%. Ele disse que agora, o que preocupa também é o câmbio e como o BC vai interferir para evitar movimentos especulativos. ''Se o câmbio pressionar, a inflação pode vir maior em julho'', disse.
A alta nas tarifas de ônibus em junho, apesar de ter sido cancelada em diversas cidades do País, posteriormente, teve o maior peso na variação do IPCA. Os gastos com tarifas dos ônibus urbanos aumentaram 2,61% em junho e tiveram impacto de 0,07 ponto percentual no IPCA, contra uma deflação de 0,02% em maio.
Alguns governos, como de São Paulo e Rio, revogaram o aumento do transporte público após uma onde de protestos no País contra a alta. Os aumentos ficaram em vigor entre o início de junho até o dia 20. Como o reajuste incidiu sobre a maior parte do mês, houve impacto forte na inflação. E, os aumentos das tarifas de ônibus de Rio de Janeiro e São Paulo pesaram na inflação já que estas duas cidades têm peso regional de 12,46% e 31,68% na composição do IPCA.
Em julho, o economista-chefe da Inva Capital e coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, acredita que a queda nas passagens de ônibus deve puxar para baixo o IPCA. ''Haverá uma grande contribuição para baixo em julho'', afirma a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Segundo ela, os gastos com ônibus terão retração entre 3% e 5% este mês, dependendo do município. Em Curitiba, a queda deve ser de 3%.
Além das tarifas de ônibus, o grupo habitação, com elevação de 0,57%, também contribuiu para o aumento da inflação em junho. Habitação teve impacto de 0,08 pontos percentuais sobre o IPCA de junho. Dezordi explicou que a alta dos aluguéis - que subiram 1,04% em junho e 6,95% no ano - e o aumento dos preços dos imóveis novos trouxeram as principais pressões no grupo habitação. Também influenciaram o IPCA vestuário com alta de 0,50% e transportes com elevação de 0,14%.
Depois de ter pesado na inflação do início do ano, o grupo alimentação e bebidas subiu 0,04%, contra alta de 0,31% em maio. Dezordi disse que o principal motivo que levou à queda dos alimentos foi a perspectiva de uma safra agrícola 15% superior a de 2012.
Eulina acredita que a recente onda de protestos no País foi um dos fatores responsáveis pela desaceleração de preços dos alimentos. Segundo ela, o comércio ficou com um estoque maior no mês passado porque precisou fechar as portas durante as manifestações no País.
A projeção para a inflação de julho, segundo Dezordi, é de 0,30%. Ele considerou ''perigoso'' o índice acumulado em 6,7% e acredita que o governo terá que aumentar juros para conter o processo inflacionário. Isso deve provocar uma desaceleração econômica no País. (Com agências)



