IPCA acelera em julho puxado pelos alimentos
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quarta-feira, 08 de agosto de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A inflação deu um salto em julho e ficou em 0,43% no Brasil contra 0,08% em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em Curitiba, o IPCA registrou alta de 0,36% em julho depois de ter ficado quase estável (0,06%) em junho.
De janeiro a julho, o IPCA no Brasil acumula alta de 2,76% e em Curitiba de 2,42%. Nos últimos 12 meses, a inflação no País atingiu 5,20% e na capital paranaense 4,81%.
A pesquisa do IBGE apontou que as despesas pessoais e as despesas com alimentos, ambos com 0,91% de variação, foram as que mais subiram em julho, sendo que os alimentos, pela importância que têm no orçamento das famílias, foram responsáveis por 49% do índice do mês.
O tomate, com redução de oferta, chegou a ficar 50,33% mais caro em julho na média nacional e 70% mais caro em Curitiba, conforme a pesquisa da cesta básica divulgada na última segunda-feira pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Além do tomate, ocorreram altas significativas no País para produtos como cenoura (17,81%), alho (12,27%), feijão preto (6,12%) e hortaliças (4,68%).
Em Curitiba, o setor com maior alta na inflação também foi alimentos e bebidas com aumento de 1,02%. Neste segmento, os maiores reajustes levantados pelo IPCA foram para tubérculos, raízes e legumes (20,01%), hortaliças e verduras (13,12%) e aves e ovos (5,02%).
Outras altas significativas na capital paranaense ocorreram nos grupos de artigos de residência (0,45%), saúde e cuidados pessoais (0,48%) e despesas pessoais (0,33%). O setor de educação também teve alta que ficou em 0,28% e a área de comunicação registrou aumento de 0,40%. O único segmento com queda foi habitação (-0,04%). O grupo de transportes ficou estável e também apontou queda de -0,56% nos combustíveis.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que os itens de alimentação subiram em função de questões climáticas com o período de inverno. Ele destacou que a elevação da inflação em julho comparada a junho não representa que o índice inflacionário disparou. Segundo Cordeiro, o cenário não é tão ruim, isso porque a inflação se concentrou nos alimentos, que podem apresentar queda nas próximas pesquisas.
Ele destacou que os produtos de hortifruti de maneira geral podem oscilar muito. O economista explicou que, como a alta foi bem acentuada nos alimentos, a tendência é que o aumento dos próximos meses não ocorra na mesma magnitude. Ele prevê que os alimentos ainda tenham aumentos até outubro. O índice de inflação também deve continuar a subir, mas em patamares menores. ''A tendência é a inflação convergir para o centro da meta do governo federal estabelecido em 4,5%. No final do ano, a inflação deve ficar bem próxima de 5%'', avaliou.
Para o professor de Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fábio Scatolin, a desvalorização do real nos últimos meses levou à alta dos produtos influenciados pelo câmbio. Os produtos agrícolas com cotação no mercado internacional como a soja também subiram.
''No curto prazo não há pressão adicional de demanda. A indústria trabalha com 81% da capacidade instalada, o menor percentual desde 2009'', destacou. Ele acredita que, ao final do ano, a inflação talvez ultrapasse um pouco o centro da meta e fique na casa de 5,5%. ''A inflação não fugiu do controle e não há nenhuma variável que mostre tendência de alta'', destacou.



