A prévia da inflação de abril cedeu um pouco, mas ainda segue pressionada. Após o susto do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechado de março ter ficado em 0,92%, a inflação deu sinais de arrefecimento. O IPCA-15, registrou uma alta mais moderada neste mês e atingiu 0,78%.
A taxa, no entanto, ainda é elevada e superior à de março, quando o IPCA-15 havia sido de 0,73%. De janeiro a abril, o índice já soma uma alta de 2,91%, acima dos 2,58% do mesmo período de 2013. Já no acumulado em 12 meses, a inflação bateu 6,19%, acima dos 5,90% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. A taxa está próxima do teto da meta do governo para o ano, de 6,5%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Assim como no IPCA fechado de março, o grande vilão, mais uma vez, foi o grupo alimentação, que teve alta de 1,84% e superou a alta de 1,11% registrada em março. Sozinho, o grupo dos alimentos correspondeu a 58% da variação do IPCA-15 de abril. Caso os alimentos tivessem ficado estáveis, a inflação de abril seria de 0,33%.
O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que, apesar do resultado menor do IPCA-15, não dá para dizer que a inflação está caindo. Ele acredita que a inflação oficial de abril feche um pouco mais baixa que em março, mas com os mesmos segmentos pressionando, especialmente os alimentos. "O comportamento em geral dos preços é de alta", disse.
Os alimentos subiram na esteira do clima desfavorável, com estiagem nas principais regiões do País. O IPCA-15 apontou altas nos preços de carnes (2,83%), batata (26,96%), leite (5,70%) e tomate (14,80%).
O IPCA-15 cedeu em relação ao IPCA fechado de março por conta da menor pressão do grupo transporte, que teve alta de 1,22% em março e, em abril, caiu para 0,54%. No entanto, Suzuki acredita em aumento dos combustíveis neste ano. Também subiram menos em abril os grupos de despesas pessoais (0,50%) e artigos de residência (0,24%). Ele prevê ainda que a inflação feche neste ano bem perto do teto da meta de 6,5%.
Curitiba teve o maior aumento do IPCA-15 junto com Goiânia. Nas duas cidades o índice subiu 1,10%. Na capital paranaense, o destaque foi para a alta de 4,39% nos alimentos consumidos em casa, além da taxa de água e esgoto que refletiu o reajuste de 6,40%.
O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, disse que se a inflação subisse no patamar de 0,78% ao mês, ao final do ano , a taxa estaria em 9%. "Pode ser que o governo tenha muita dificuldade em fechar o ano com inflação de 6,5%", destacou. Ele acredita que o IPCA feche abril entre 0,70% e 0,80% e prevê que os alimentos continuem subindo.

Imagem ilustrativa da imagem IPCA-15 sobe 0,78% e sofre pressão de alimentos
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