IPCA-15 reforça aposta de manutenção da Selic
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Agência Estado 
Rio e São Paulo - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) se manteve em deflação em agosto, apresentando apenas menor ritmo de queda. Em julho, a deflação havia sido de 0,09%, passando agora para queda de 0,05%. Mesmo assim, esse resultado reforça, na avaliação de analistas, a possibilidade de que os juros básicos (Selic) sejam mantidos nos atuais 10,75% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 31 de agosto e 01 de setembro.
Os preços dos alimentos caíram 0,68% em agosto. Segundo o IBGE, vários alimentos continuaram com os preços em queda, de julho para agosto. Entre os destaques de queda estão batata-inglesa (-22,06%), tomate (-21,89%), cebola (-9,26%), açúcar cristal (-8,10%), hortaliças (-8,00%), feijão carioca (-4,78%) açúcar refinado (-3,96%),e leite pasteurizado (-1,93%). O que mais surpreendeu foi a alta de apenas 0,01% registrada pelo conjunto de preços administrados, que surpreendeu, por exemplo, o economista Hui Lok Sin, do Banco BBM. ''Uma parte disso vai implicar um número mais baixo para agosto, mas não necessariamente para o restante do ano'', disse.
Com uma aposta de queda de 0,03% para o IPCA-15, a economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, foi a que mais perto chegou do resultado real. Segundo ela, ''o dado apenas reforçou a expectativa, que deve se tornar majoritária no mercado, de estabilidade da Selic em 10,75%. Sem um cenário confirmado de retomada forte da atividade, com inflação corrente baixa e expectativas próximas à meta e convergindo para o centro num prazo de um a dois anos, o Copom deve mesmo encerrar o ciclo de ajuste''.
Para o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, a divulgação de mais um indicador de inflação com um comportamento bastante favorável não deixa dúvidas sobre qual será a decisão da diretoria do Banco Central na próxima reunião de política monetária. Para ele, é preciso uma avaliação do cenário macroeconômico nos meses seguintes para saber os próximos movimentos que serão tomados pela autoridade monetária.
Tranquilidade
Se por um lado o mercado ainda discute qual posição o BC terá nessa discussão, para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o BC deve estar mais tranquilo com o resultado do IPCA-15 de agosto. Mantega disse que esse foi um resultado bom, que a inflação está sob controle e que deve terminar este ano próxima do centro da meta.
O ministro disse esperar para os próximos meses que a inflação medida pelo IPCA fique entre 0,15% e 0,30% e projetou crescimento do PIB para este ano entre 6,5% e 7%, enquanto a inflação, segundo Mantega, deve terminar 2010 ''em torno'' de ''5%. ''Ele (o BC) deve estar mais calmo, mais tranquilo com esse resultado'', declarou Mantega, durante cerimônia de assinatura de um empréstimo do Banco Mundial (Bird) para a Prefeitura do Rio de Janeiro, no Palácio da Cidade do Rio de Janeiro.


